BE diz que discussão é inevitável, PCP recusa colocar já tema "na primeira página"
Lisboa, 11 Fev (Lusa) -- O BE considerou hoje "inevitável e inadiável" o debate sobre eutanásia na próxima legislatura , mas o PCP recusou para já colocar o tema "na primeira página", defendendo a necessidade de responder primeiro à crise económica e social.
"É um debate inevitável e inadiável", defendeu o deputado do BE João Semedo, em declarações aos jornalistas no Parlamento.
No congresso do PS, que se irá realizar no final do mês, será discutida uma moção sectorial sobre eutanásia, subscrita pelo deputado socialista Marcos Sá, pelo presidente do PS, Almeida Santos, e pelo secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro.
Em declarações ao DN e TSF, Marcos Sá disse pretender abrir um debate tendente à legalização da eutanásia.
Na sua perspectiva, a morte medicamente assistida só poderá ser permitida em caso de estado terminal irreversível e se for expressamente autorizada pelo próprio doente: ou estando lúcido ou, não o estando, através do chamado "testamento vital" (assinado em consciência, previamente, e em que a pessoa define as condições em que admite a morte medicamente assistida).
"Esta é uma matéria exclusiva da liberdade individual", afirmou.
Interrogado sobre a oportunidade desta discussão, o deputado do BE João Semedo reconheceu tratar-se de "um debate complicado, que não se vai resolver rapidamente".
Contudo, acrescentou, apesar de "inevitável e inadiável", a discussão em torno de uma questão tão complicada "não aconselha precipitações".
"Discutir este tema na actual sessão legislativa seria um enorme disparate", disse, reafirmando a intenção do BE de incluir questões como a morte assistida, o testamento vital e a "recusa à obsessão terapêutica" no programa eleitoral do partido para as próximas eleições legislativas.
Pelo PCP, o líder parlamentar Bernardino Soares considerou a eutanásia "um tema que merece respeito e discussão", mas recusou colocar a questão na agenda política do momento.
"Não é altura para por na primeira página uma matéria que é importante, mas que não deve secundarizar o problema de como responder à crise", defendeu.
O líder parlamentar do CDS-PP Diogo Feio recusou tomar uma posição, argumentando que os democratas-cristãos "não são comentadores" dos congressos do PS.
"Expressaremos a nossa opinião na altura devida", acrescentou.
A Agência Lusa contactou igualmente o PSD para obter uma reacção, mas os sociais-democratas escusaram-se a prestar declarações sobre esta matéria.
VAM.