Bill Gates dá aula sobre doenças, competitividade e futuro

O combate a doenças no terceiro mundo, os computadores em miniatura ou a competição entre Google e Microsoft foram alguns dos temas abordados por alunos do secundário numa aula especial dada hoje pelo presidente da Microsoft.

Agência LUSA /

Bill Gates e o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, José Mariano Gago, estiveram hoje de manhã no Pavilhão do Conhecimento, onde deram uma aula sobre os computadores do futuro e o futuro da Internet.

A Ciência Viva abriu as portas do auditório do Pavilhão do Conhecimento, no Parque das Nações, a 88 alunos e 15 professores vindos de oito escolas (sete secundárias e uma básica) da região de Lisboa.

Durante essa "aula especial", alguns alunos aproveitaram a oportunidade de ter o presidente da Microsoft como professor por uma manhã, para lhe fazer as mais diversas perguntas, como sobre a razão porque Bill Gates apostou na educação e no combate a doenças, como a malária em África.

Respondendo à questão, o presidente da Microsoft considerou que "a vida deveria ser igual em todo o mundo", mas que na realidade em países como Portugal e Estados Unidos da América o progresso permitiu que a maioria das crianças ultrapasse as doenças e sobreviva até à idade adulta.

"Nestes países muitas doenças são ignoradas porque já não estão presentes", afirmou, justificando assim o seu financiamento com a tentativa de "diminuir a diferença entre países pobres e países ricos" no acesso à vida.

O segundo aluno a pôr uma questão quis saber por que razão Bill Gates "escolheu tecnologia se gosta tanto de Biologia e se voltaria a fazer a mesma opção", ao que o presidente da Microsoft respondeu assumindo o seu gosto por diversas áreas científicas, nomeadamente medicina.

A competição entre o Google e a Microsoft foi o tema abordado por outro aluno que quis saber como é que Bill Gates encarava a competitividade.

O Google é o mais famoso, mas apenas um dos muitos "softwares" que competem com a Microsoft, tais como a Sony ou a IBM, respondeu o patrão da Microsoft, acrescentando considerar que a competição é boa e impulsionadora de desenvolvimentos para o futuro.

Um outro aluno quis saber se Bill Gates planeava fabricar aparelhos informáticos em português para cegos, uma questão que o responsável considerou muito importante, na medida em que os computadores têm que ser feitos a pensar em todos os grupos.

Bill Gates deixou assim a "promessa" de criação de um melhor sintetizador de voz em português para cegos.

O aluno do secundário Francisco Ogando fez uma pergunta que criou algum entusiasmo na sala: se a miniaturização irá mudar os computadores no futuro.

Segundo Bill Gates, em certa medida isso já está a acontecer.

"Estamos a começar a pôr `software` no carro para ver como está o trânsito", exemplificou, acrescentando que "`o software` está cada vez mais em todo o lado".

Para Bill Gates, o futuro passa mesmo por aí e daqui a alguns anos o `software` informático vai desempenhar um papel tão importante como a electricidade.

Questionado pela Agência Lusa sobre se a pergunta que fez lhe foi sugerida por alguém, Francisco Ogando respondeu que não, que "estava a olhar para o computador e a pensar como seria se diminuísse de tamanho e como seria daqui a dez anos".

Francisco Ogando disse ter ficado surpreendido pelo impacto da sua pergunta e mais ainda com a resposta "tão completa" e admitiu que "o que mais gostou na aula foi mesmo a presença de Bill Gates".

A última pergunta veio de Fábio Dolores que quis saber "que conselhos é que o homem mais rico do mundo e que conseguiu realizar os seus sonhos tinha para dar aos jovens".

Bill Gates deixou aos jovens o conselho de fazerem todos os dias aquilo que gostam, aquilo em que se sentem realizados e que lhes dá prazer.

"Quando descobri o `software` não vi o dinheiro que podia fazer, mas sim aquilo que o `software` podia fazer", respondeu, confessando que foi isso que o fascinou.

"O fazer trabalho nas áreas que gostamos tem um grande impacto no nosso trabalho, nos nossos conhecimentos e nas pessoas que nos rodeiam", disse, acrescentando que provavelmente no futuro tudo isto trará frutos financeiros.

Manifestando-se muito satisfeito, mas também muito nervoso por ter feito uma pergunta a Bill Gates, um homem por quem sente "grande admiração", Fábio Dolores admitiu que quando o questionou tinha realmente dúvidas sobre se a escolha do patrão da Microsoft "tinha sido por gosto ou por dinheiro".

Contudo, afirmou que tinha acreditado na resposta de Bill Gates e que ia seguir o seu conselho.

Entre os 88 jovens que encheram o auditório do Pavilhão Atlântico encontravam-se alguns invisuais e de baixa visão, que participaram beneficiando de tecnologias de inclusão.


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