Bispo auxiliar de Lisboa condena ligações de católicos à Maçonaria
O bispo auxiliar de Lisboa D. Carlos Azevedo condenou hoje as ligações dos fiéis da Igreja Católica à Maçonaria, mas admitiu que o diálogo com estas organizações "é sempre possível".
D. Carlos Azevedo falava durante um debate promovido pela direcção da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) para reflectir sobre as relações entre a Igreja Católica e a Maçonaria ao longo dos últimos três séculos.
O ex-vice reitor da Universidade Católica sublinhou a necessidade de "haver clareza de posições para uma firmeza de identidade", e disse que os crentes "não devem ter pudor em ser firmes nas suas posições".
"Se a pertença simultânea (dos católicos na Maçonaria) continua excluída, o diálogo é sempre possível", disse ainda o bispo, apontando como exemplos de convergência as iniciativas em prol da solidariedade entre os povos.
Ao contrário da Igreja Católica, "as obediências maçónicas praticam ritos secretos e têm uma raiz esotérica e iniciática", apontou.
Afirmou ainda que, apesar das críticas de falta de tolerância por parte da Maçonaria à Igreja, "as exigências das lojas na admissão de novos membros são muito mais rigorosas".
D. Carlos Azevedo referiu que as irmandades maçónicas de orientação francesa eram mais anti-clericais, mas algumas obediências mais modernas permitem que os seus membros adiram a religiões teístas (como o catolicismo).
"Nestes casos, os católicos continuam a viver a sua fé, e não pecam contra ela, mas desobedecem à Igreja", observou, acrescentando que entrar para a Maçonaria "só para obter poder e lucro também seria contra os mandamentos".
Como principais pontos "inaceitáveis para os católicos", o bispo enumerou o cientismo, o materialismo, o esoterismo elitista gnóstico contrário à revelação, o facto de acreditarem que não existe uma verdade objectiva (cada um pode ter a sua concepção pessoal), o antropocentrismo e a "visão redutora" de Cristo.
Contudo, ressalvou que a Maçonaria "não pode ser considerada anti-cristã" e que a Igreja Católica até "vê nela um bom aliado espiritualista".
O bispo recordou a última nota quaresmal do cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, na qual são sublinhados os diferentes sentidos da História e da pessoa humana para a Maçonaria e para o Cristianismo.
Chamou ainda a atenção para a "maior luta" do novo Papa Bento XVI dirigida contra "todos os tipos de relativismo", que "enfraquece as nossas defesas culturais".
Fez ainda referência a grupos religiosos que "estão de alguma forma dependentes da Maçonaria", nomeadamente os grupos de magia iniciática, os Rosa-Cruz, as Igrejas gnósticas, a Teosofia e a Antroposofia.
A primeira tomada de posição oficial da Igreja Católica sobre a Maçonaria data de 1738, quando era Papa Clemente XII. Até à segunda metade do século XIX a cúria romana escreveu cerca de 400 documentos sobre este tema.
Apesar do Código de Direito Canónico passar a proibir que os católicos fossem também maçons, seguiu-se uma fase de maior abertura, com a Congregação para a Doutrina da Fé a abrir, nos anos 70, algumas excepções (desde que não fossem clérigos ou religiosos a aderir às irmandades).
Essa proibição viria a ser feita novamente de forma clara pela Igreja em 1983.