Bispo de Leiria elogia papel do Papa como "elo de ouro" de Fátima

O Bispo de Leiria-Fátima considerou hoje João Paulo II como um "elo de ouro" para a afirmação do Santuário de Fátima no mundo, horas depois de o Vaticano ter indicado que o estado de saúde do Papa é "muito grave".

Agência LUSA /

Segundo uma informação divulgada ao início da tarde pelo porta- voz do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls, a situação do Papa é estacionária, mas "muito grave", com os parâmetros biológicos alterados e a tensão arterial instável.

O porta-voz do Vaticano lembrou que o Papa está "consciente", numa declaração feita 13 horas depois do anúncio de que uma infecção urinária complicou a difícil convalescença de João Paulo II.

Para o Bispo de Leiria-Fátima, "João Paulo II foi um elo de ouro na cadeia histórica dos acontecimentos de Fátima".

D. Serafim Ferreira e Silva recordou que foi durante o Pontificado de João Paulo II que os videntes Francisco e Jacinta Marto foram beatificados.

Além disso, o Papa considerou que a terceira parte do segredo de Fátima lhe era destinada, já que referenciava o caso de um bispo atingido como um mártir por soldados, uma indicação que João Paulo II relacionou com o atentado que sofreu a 13 de Maio de 1981.

Assim, as duas últimas décadas constituíram para Fátima "uma etapa interpelativa, responsabilizante e de comunhão", considerou Bispo de Leiria-Fátima.

No entanto, D. Serafim Ferreira e Silva recusa relacionar a visibilidade actual de Fátima apenas com a figura de João Paulo II, considerando que se trata de uma "relação pessoal" entre o Papa e a Mensagem de Fátima.

Sobre a eventualidade de o Papa não sobreviver, o bispo confessou: "aceito a condição humana e não embarco nesse sentimentalismo" que está a rodear estes dias.

"Julgo que não é uma situação preocupante nem alarmante", mas sim o "retrato de um homem que quis cumprir a sua missão conforme pôde e enquanto pôde", num "testemunho de fidelidade e de coragem", disse o bispo, que esteve com João Paulo II pela última vez em 28 de Janeiro deste ano.

"É uma figura humana e cultural e que diz respeito a todos os grupos da humanidade, não apenas aos católicos", já que o seu percurso "coerente, audaz e corajoso" ultrapassou as "barreiras da religião", afirmou.

Exemplo disso - considerou - é o facto de João Paulo II ter dado na década de 80 "um contributo decisivo para que o sistema rígido, chamado marxista-leninista, se transformasse em democracia".

Depois, na década de 90, foi a vez do Pontífice dar uma particular atenção ao debate inter-religioso e ecuménico, recordou o bispo de Leiria-Fátima.

Presente hoje em Fátima para presidir a uma peregrinação de militares, o bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, recordou a figura e o trabalho de João Paulo II.

"Pela forma como nós o amamos não gostaríamos de o ver partir", mas "o espírito de Deus é quem nos governa e decide", afirmou.

D. Januário Torgal Ferreira elogiou o trabalho de João Paulo II, apesar das críticas de sectores que o consideraram demasiado conservador.

"O Papa é muitíssimo mais avançado, é mais da vanguarda do que da retaguarda", afirmou o prelado, lamentando que algumas das suas recomendações ainda não estejam devidamente concretizadas.

No plano pastoral e doutrinário, D. Januário Torgal Ferreira lembrou algumas recomendações do Papa às famílias, promovendo maior diálogo para enfrentar os problemas quotidianos.

Contudo, o bispo das Forças Armadas reconheceu que este Pontificado "não foi tão longe" nalgumas matérias, mas considerou que "o Papa não tem culpa" pois terá sido condicionado pelos que o rodeavam.

Exemplo disso é o progressivo "centralismo" da Cúria Romana em prejuízo da "colegialidade das Conferências Episcopais", que "foi um pouco aligeirada".

Mas agora, "não nos faltará tempo para prosseguir essa bela rota", que já havia sido definida pelo actual Pontífice, considerou.

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