Bloco de Esquerda denuncia "condições inimagináveis" em que vivem ciganos de Grijó
O Bloco de Esquerda (BE) denunciou hoje as "condições inimagináveis" em que vive uma comunidade cigana em Grijó, acusando a Câmara de Gaia, presidida pelo social-democrata Luís Filipe Menezes, de não se preocupar com este grave problema social.
"No princípio do século XXI ainda há pessoas a viver em condições inimagináveis no concelho de Gaia. Infelizmente, estão muito longe das Caves de Vinho do Porto e do olhar dos turistas", afirmou Alda Sousa, deputada municipal e dirigente nacional do BE.
Alda Sousa falava à Lusa no final de uma visita ao local onde vivem cerca de 50 famílias ciganas, nas imediações da zona industrial de Grijó.
"Estas famílias vivem em barracas, sem água e sem luz, em condições intoleráveis", afirmou, acrescentando que esta comunidade cigana vive há cerca de 12 anos naquele local.
Segundo Alda Sousa, o Bloco de Esquerda levantou o problema das condições de vida destas famílias numa sessão da Assembleia Municipal de Gaia realizada em Maio de 2006, mas a situação permanece inalterada.
"Nessa altura, recomendámos que a Câmara de Gaia atribuísse prioridade ao realojamento destas famílias, mas a recomendação foi rejeitada pela Assembleia Municipal, tendo o presidente da autarquia afirmado que havia pessoas no concelho que viviam em condições piores", recordou a dirigente do BE.
Alda Sousa acrescentou que a comunidade cigana de Grijó foi visitada em Dezembro de 2006 por elementos da empresa municipal Gaia Social, mas frisou que "a visita realizou-se porque vai ser construído um viaduto que passa por aquele local".
"Não é admissível que a visita não tenha sido provocada pelas condições intoleráveis em que vivem aquelas famílias, mas sim pela necessidade de as desalojar para permitir a construção de um viaduto", frisou.
A dirigente do BE acrescentou que, apesar da Gaia Social prometido casas para as famílias ciganas que residem em Grijó, "até agora ainda não aconteceu nada e as pessoas vivem nas mesmas condições".
"Não se pode aceitar que recentemente tenha sido considerada prioritária a remodelação da casa da presidência da autarquia e que continuem a existir pessoas a viver em situações degradantes", criticou.
Por essa razão, Alda Sousa assegurou que o Bloco de Esquerda "vai continuar a pressionar o executivo municipal" para que resolva este problema.