Bolsas pagas pela FCT acima da média de instituições da Europa e Canadá - Estudo
Lisboa, 19 Mar (Lusa) - A Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) é uma das instituições que melhor paga aos bolseiros, segundo um estudo que comparou o valor das bolsas atribuídas por várias entidades europeias e por uma canadiana.
O estudo, elaborado pela empresa Deloitte Consultores, foi divulgado terça-feira no sítio da FCT, que encomendou a análise comparativa entre as bolsas de doutoramento e pós-doutoramento que atribui em Portugal e as que são conferidas por 16 outras instituições distribuídas por 13 países.
Deste universo, as bolsas de doutoramento e pós-doutoramento que apresentam um perfil mais próximo das concedidas pela FCT são atribuídas pelas seguintes instituições: German Research Foundation - DFG e Max Planck Society (ambas alemãs), Ministerio de Educación Y Ciencia (Espanha), United Kingdom Research Council (Reino Unido, somente doutoramentos), Academy of Finland (somente doutoramentos) e Research Council of Canada.
A comparação estabelecida entre as bolsas da FCT e as destas seis instituições mostra que, no que se refere a doutoramentos no próprio país, a Fundação para a Ciência e Tecnologia dispende anualmente por bolseiro 15.448 euros, o que a coloca a meio da tabela, antecedida do Research Council of Canada (com 18.882 euros por bolseiro), o britânico United Kingdom Research Council (17.880 euros) e a Academy of Finland (15.910 euros).
Já no que respeita a bolsas de doutoramento no estrangeiro, a FCT lidera com a atribuição de 34.808 euros anuais por bolseiro, seguindo-se o United Kingdom Research Council (com 24.618 euros) e o Research Council of Canada (com 24.300 euros).
Na categoria de bolsas ou contratos de pós-doutoramento atribuídas no próprio país, a FCT ocupa o segundo lugar da tabela com um investimento de 18.690 euros por bolseiro por ano, sendo ultrapassada apenas pelo Research Council of Canada, que desenbolsa 23.234 euros anuais por cada estudante.
O mesmo sucede com as bolsas ou contratos de pós-doutoramento no estrangeiro, em que a Fundação para a Ciência e Tecnologia gasta ao ano 28.457 euros por bolseiro, quando o Research Council of Canada dispende 29.900 euros.
Nas quatro categorias, os montantes das bolsas atribuídas pela FCT são superiores à média, já que no caso dos doutoramentos no próprio país a média é de 14.414 por aluno, nos doutoramentos no estrangeiro a média é de 21.511 euros por bolseiro, nos pós-doutoramentos no próprio país a média cifra-se em 17.184 euros "per capita" e nos nos pós-doutoramentos no estrangeiro o valor médio é de 23.507 euros por estudante.
Os valores considerados neste relatório compreendem a soma entre o subsídio anual pago aos bolseiros e os subsídios complementares (cobertura de custos específicos como viagens, propinas, alojamento, participação em conferências, entre outros).
Ainda de acordo com o estudo, em 2007 a FCT estava a pagar 5.497 bolsas de doutoramento e 1.749 bolsas de pós-doutoramento.
Tendo por base dados de 2006, o documento indica igualmente que os bolseiros de doutoramento portugueses que estão no estrangeiro tiveram como destino preferencial o Reino Unido (603 estudantes), seguindo-se os Estados Unidos (313) e a Espanha (261), enquanto os bolseiros de pós-doutoramento optaram pelos EUA (91), seguindo-se o Reino Unido (83) e a França (45).
Por área científica, em 2006, a maior fatia dos doutorandos era de engenharia ou ciências naturais (57 por cento), tinha entre 25 e 30 anos (47 por cento) e era do sexo feminino (55%).
No mesmo ano, os pós-doutorandos eram também maioritariamente de engenharia ou ciências naturais (71 por cento) e tinha entre 30 e 35 anos (47 por cento), havendo maior número de investigadores do sexo masculino (687 homens contra 676 mulheres, embora a percentagem reflicta 50 por cento para cada lado).
O "Estudo comparativo de bolsas de doutoramento e pós doutoramento" encomendado pela FCT pode ser consultado na íntegra em http://alfa.fct.mctes.pt/documentos/Relatorio_Deloitte_FCT_Bolsas_18_03_2008.pdf