Bruxelas alerta para perigo do "chumbo" dentário
A Comissão Europeia recomendou aos dentistas que substituam por outros produtos as amálgamas dentárias, vulgarmente conhecidas por "chumbo", devido à comprovada toxicidade de um dos seus componentes, o mercúrio.
O Conselho Europeu dos Ministros do Ambiente, reunido a 24 de Junho, corroborou a estratégia definida por um estudo da Comissão Europeia sobre o mercúrio, um metal líquido altamente tóxico, para que este seja banido.
O estudo da CE refere que "doses elevadas de mercúrio podem ser fatais para o Homem, mas mesmo doses relativamente baixas podem ter repercussões adversas graves no desenvolvimento neurológico, tendo sido ligadas também a possíveis efeitos prejudiciais nos sistemas cardiovascular, imunitário e reprodutivo.
Segundo o mesmo estudo, nos países desenvolvidos, "a maior fonte de exposição ao mercúrio é a inalação dos vapores de mercúrio nas amálgamas dentárias".
Depois de ter conhecimento do estudo, o Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas decidiu apelar aos seus colegas para que "ponderem a substituição da amálgama por outros produtos já existentes no mercado, nomeadamente resinas compostas e/ou cerâmica".
"O estudo é orientado para a proibição do uso amálgama da dentária porque contém mercúrio e apresenta riscos significativos para a saúde, nomeadamente a nível do sistema nervoso e por isso a sua utilização deve ser proibida ou reduzida", afirmou à Agência Lusa Orlando Monteiro da Silva.
Mas, segundo o Bastonário, não é necessário que as pessoas que já tenham amálgamas nos dentes as substituam.
"Não existe nenhuma indicação para que seja necessário retirá- las e substitui-las por outro produto. Não devemos alarmar as pessoas", afirmou.
Em Portugal não há quaisquer restrições ou proibições para o uso de amálgamas, mas aconselha-se a utilização, em alternativa, de resina compostas e/ou cerâmicas sendo estes de uso seguro para a saúde".
Na opinião do bastonário "é necessário e urgente informar os profissionais e os pacientes para preferirem estes produtos em substituição das amálgamas, indo ao encontro do que está a ser preconizado pelas entidades ambientais e de saúde europeias".
O dentista referiu ainda ser sua convicção que "actualmente a maioria dos dentistas utiliza muito pouco a amálgama dentária, porque tem conhecimento dos perigos do mercúrio e porque os produtos que tem à sua disposição são mais estéticos".
Em alguns Estados-membros da UE, nomeadamente os países nórdicos, já é proibida ou há fortes restrições à utilização deste produto.
A estratégia de luta contra o mercúrio foi anunciada a 31 de Janeiro em Bruxelas e pretende diminuir o consumo daquele tóxico na Europa, reduzindo os produtos que o contém - como os termómetros, amálgamas dentárias ou lâmpadas florescentes, onde aumenta a eficiência energética - e proibir as exportações num prazo de seis anos.
O mercúrio é um metal líquido altamente prejudicial para os humanos e o meio ambiente, podendo ser mortal e, em doses pequenas, prejudicar o sistema nervoso, o que pode ser o caso do seu consumo através de alimentos como o peixe ou produtos do mar, em especial por parte das populações das zonas costeiras do Mediterrâneo e do Árctico.