Anti-inflamatório retirado do mercado

O Vioxx, medicamento anti-inflamatório mais vendido em Portugal, foi hoje retirado do mercado nacional e em todo o Mundo devido a um ligeiro aumento de problemas cardio-vasculares associados à toma prolongada deste fármaco, anunciou o laboratório.

Agência LUSA /
Vioxx, o medicamento proibido DR

O medicamento, cuja substância activa é o rofecoxib, é prescrito para a artrite e a dor aguda e em Portugal representa seis por cento de todos os anti-inflamatórios comercializados, disse em conferência de Imprensa, em Lisboa, o director geral da Merck, Sharp & Dohme portuguesa, José Almeida Bastos.

Por mês, os médicos fazem 50 mil prescrições deste produto em Portugal.

O medicamento só pode ser adquirido com receita médica, custa 40,84 euros e é comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) em 70 por cento (regime geral) e 85 por cento (regime especial).

O valor de mercado deste produto em Portugal atinge 18 milhões de euros por ano.

O Vioxx era comercializado em 47 países, acrescentou o responsável do laboratório.

É um medicamento anti-inflamatório que, em Portugal, é ainda vendido sob a apresentação de Coxxil, mediante autorização da Merck Sharp & Dohme (MSD). As duas apresentações comerciais serão retiradas do mercado a partir de sexta-feira.

Trata-se de um medicamento prescrito para a osteoporose, artrite e dor aguda que, na sua bula, recomenda "precaução" na utilização por "doentes com insuficiência cardíaca, hipertensão ou edemas".

Foi precisamente um "ligeiro aumento dos episódios de eventos cardiovasculares em doentes" que estavam a tomar este fármaco há mais de 18 meses que levou à sua retirada do mercado em todo o mundo, incluindo Portugal.

Na base desta decisão, hoje anunciada pela MSD Portugal, esteve um estudo clínico, entretanto interrompido, que foi desenhado para "avaliar a eficiência do Vioxx (25 mg) na prevenção da recorrência dos pólipos colorectais em doentes com história de adenomas".

O medicamento estava a ser avaliado na prevenção do cancro do cólon, daí a sua administração prolongada que deveria estender-se aos três anos.

O fármaco, quando tomado na patologia para que é indicado (osteoporose, artrite e dor aguda) não é administrado por mais de dois meses e, neste contexto, não tem apresentado contra-indicações de maior.

No entanto, e uma vez que através do estudo foram detectados problemas cardiovasculares, ainda que em tomas prolongadas, o laboratório decidiu retirar definitivamente o fármaco do mercado.

Em relação aos doentes que actualmente tomam o Vioxx, estes deverão agora ser aconselhados pelos seus médicos a receber outros anti-inflamatórios.

O Vioxx é comercializado em 47 países e representa, para a MSD, um volume de vendas na ordem dos 2,5 biliões de dólares. Só em Portugal, o medicamento tem um valor de mercado de 18 milhões de euros por ano.

As acções da Merck na Bolsa de Nova Iorque registavam, às 18:26 (hora de Lisboa) uma quebra de 26,54 por cento, situando-se nos 33,11 dólares.

A descida está associada à retirada do mercado do Vioxx.


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