Cabeceiras de Basto vai proteger a floresta através de estrutura empresarial
O presidente da Câmara de Cabeceiras de Basto, Joaquim Barreto, propôs hoje a criação de uma cooperativa de interesse público para promover a protecção da floresta municipal, numa iniciativa inédita em Portugal bem recebida pela Direcção-Geral dos Recursos Florestais.
"A comissão municipal de protecção e defesa da floresta contra incêndios, que integra vários organismos, elabora o plano municipal mas é apenas um órgão deliberativo, torna-se necessário quem execute as políticas traçadas nesse plano", afirmou Joaquim Barreto, em declarações à agência Lusa.
O autarca falava à margem do seminário `Juntos no Desenvolvimento Integrado da Floresta`, que decorre hoje num complexo situado no alto da Serra da Cabreira, onde apresentou a proposta de criação de uma "estrutura empresarial que execute as decisões tomadas pela comissão municipal de protecção e defesa da floresta".
"Propus a criação de uma cooperativa de interesse público, para a qual convidei todas as entidades que integram a comissão municipal", frisou.
Joaquim Barreto espera que estas entidades possam reunir "no final de Abril ou princípio de Maio" para analisar e aprovar a proposta de estatutos, de forma a que a nova estrutura possa estar a funcionar quando começar a época de fogos florestais.
"Queremos envolver neste trabalho todas as entidades ligadas à floresta, queremos estar juntos na execução prática das políticas de defesa da floresta", salientou Barreto, frisando que Cabeceiras de Basto possui uma significativa área florestal e uma aptidão natural para o desenvolvimento deste sector económico.
Para o autarca, "no que se refere à floresta, temos que agir e não apenas reagir", considerando que esta pode desempenhar um papel estratégico na consolidação do modelo de desenvolvimento económico e social do concelho de Cabeceiras de Basto.
"É necessário aproveitar a óptima legislação que existe actualmente, mas que tem que ser executada pelos agentes locais, que estão no terreno, e não pelo governo", frisou Joaquim Barreto.
Para o director-geral dos Recursos Florestais, Francisco Rego, a proposta apresentada pelo presidente da Câmara de Cabeceiras de Basto deve ser estudada, salientando que a figura da cooperativa de interesse público tem sido aplicada com sucesso noutros sectores.
"É uma possibilidade que vale a pena aprofundar", frisou Francisco Rego, em declarações à Lusa, admitindo que a criação desta estrutura empresarial "é uma solução que pode ser operacionalizada".
"A proposta tem um interesse evidente, já que a existência de uma comissão municipal que elabora um plano faz com que esta entidade sinta a necessidade de operacionalizar o que se planeia", acrescentou.
O director-geral das Florestas, que também participa no seminário organizado pela Câmara de Cabeceiras de Basto, escusou-se, no entanto, a fazer mais comentários sobre a proposta apresentada pelo autarca.
"Se a figura será uma cooperativa ou de outro tipo, se terá âmbito municipal ou supramunicipal, são questões que é preciso discutir", afirmou.
O debate de questões relacionadas com o desenvolvimento integrado da floresta assume especial importância no concelho de Cabeceiras de Basto, que tem 58 por cento da sua área ocupada com floresta.
Por essa razão, o município tem vindo a dinamizar diversas iniciativas com o objectivo de reunir agentes locais e regionais na defesa e preservação da floresta, como é o caso do seminário que hoje decorre durante todo o dia no Complexo Florestal da Veiga, no cimo da Serra da Cabreira.