Cabo Verde poderá apresentar proposta de adesão à UE ainda este ano - PM

O primeiro-ministro cabo-verdiano anunciou hoje em Lisboa que Cabo Verde poderá apresentar uma proposta formal de adesão à União Europeia "ainda este ano", afirmando que o país pretende "ir o mais longe possível" na cooperação com a Europa.

Agência LUSA /

Em declarações a jornalistas após um encontro com o primeiro- ministro português, José Sócrates, José Maria Neves assinalou que o seu governo está a trabalhar, "a consensualizar essa ideia e a garantir apoios a nível da Europa" para avançar com "um pedido formal de negociações".

Questionado sobre uma data para a apresentação desse pedido, o chefe do governo cabo-verdiano disse que será "o mais rápido possível", "provavelmente ainda este ano".

Cabo Verde está a tentar obter um estatuto especial junto da União Europeia (UE) mas um grupo de personalidades portuguesas, como o ex-presidente Mário Soares e o professor Adriano Moreira tiveram a iniciativa de organizar uma petição para a plena adesão do arquipélago aos 25.

"Queremos ir o mais longe possível", disse o chefe do governo, precisando que, se Cabo Verde conseguir o estatuto de associado, procurará, depois, obter mais do que isso.

"Estamos abertos à construção dessa parceria", insistiu.

"Queremos elevar o patamar e isso é algo de estratégico para o futuro de Cabo Verde, mas também para o futuro da Europa", referiu José Maria Neves, esclarecendo que se trata de "alargar a área de segurança e de estabilidade à parte sul do Atlântico Norte".

O primeiro-ministro cabo-verdiano sublinhou que Cabo Verde pode servir de "ponte entre a Europa, as Américas e África e ser um instrumento para que o Atlântico seja um corredor de paz".

Antes de viajar para Portugal, para uma visita de trabalho, José Maria Neves afirmou que o seu governo não tem "nenhuma reserva" à adesão plena à UE mas admitiu que se trata de algo "muito complexo e difícil".

O governante considerou a ideia lançada por Mário Soares e Adriano Moreira "muito positiva", valorizando os actos de "todos aqueles que defendem que Cabo Verde, mesmo sendo um país africano, poderá aderir à UE".

Esta pretensão de Cabo Verde foi um dos pontos que o primeiro- ministro cabo-verdiano discutiu no encontro com Sócrates, além da cooperação económica e empresarial e na área da segurança e da ordem pública.

José Maria Neves destacou a presença de "grandes empresas portuguesas" em Cabo Verde, nomeadamente nas áreas financeira, construção civil, telecomunicações, combustíveis ou electricidade, "sectores estratégicos para o desenvolvimento de Cabo Verde".

Ainda hoje, o chefe do governo cabo-verdiano encontra-se com o ministro da Administração Interna, António Costa, para discutir a possibilidade de melhorar a cooperação na área da segurança, especialmente no momento em que Cabo Verde enfrenta "grandes desafios" a nível de tráfico de droga e criminalidade organizada.

A cooperação, disse José Maria Neves, pode passar pela formação de elementos da polícia cabo-verdiana, pela troca de informações e pelo fornecimento de equipamentos.

Esta parceria, acrescentou, é importante, dado que "os reflexos do tráfico de droga e da criminalidade organizada são maiores na Europa do que em Cabo Verde, que funciona mais como plataforma".

A cooperação nesta área é importante para Cabo Verde porque o país está agora no processo de criação ou reforço das polícias e dos serviços de informações, disse ainda.

O primeiro-ministro cabo-verdiano encontrou-se quinta-feira com Mário Soares e hoje com o ex-presidente da Assembleia da República Almeida Santos, que também apoia a ideia de adesão de Cabo Verde à UE.

José Maria Neves tem ainda previstos encontros com os líderes dos principais partidos políticos portugueses e com representantes da comunidade cabo-verdiana em Portugal.

Na segunda-feira, último dia da sua estada em Portugal, faz uma visita de cortesia ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes.

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