Cadernetas de cromos continuam a apaixonar todas as idades com ajuda da Internet
Lisboa, 3 Jan (Lusa) - As colecções de cromos de cadernetas continuam a estar centradas no futebol, mas nos dias que correm este "campeonato" já não olha a idades e tem uma ajuda das novas tecnologias.
A principal editora de cadernetas, a Panini, confirma que as maiores vendas estão ligadas ao campeonato português, Europeus e Mundiais e que as menos procuradas são as didácticas.
"Por lógica, a tendência é haver mais homens a comprar este tipo de colecção (futebol). O perfil etário é, mais ou menos, o mesmo em toda a Europa Ocidental, as crianças e 35 por cento dos coleccionadores com mais de 30 anos de idade", analisa a empresa.
Alexandre Ribeiro guarda na sua casa, em Fernão Ferro (Seixal), cerca de 150 cadernetas antigas da altura em que a "imaginação não tinha limites".
Para aumentar a colecção recorre a fóruns e leilões on-line e à digitalização de cadernetas que alguns coleccionadores já disponibilizam, mas a vontade às vezes é travada pelos preços, que variam entre os 50 e os 100 euros.
Vítor Franco, outro coleccionador, relata ainda que recentemente, num site de leilões, uma caderneta dos anos 70 foi vendida por 800 euros.
A Internet é indicada como responsável pelo "renovado" interesse pelas cadernetas, considera também o administrador do site www.trocacromos.com, Américo Almeida, argumentando não ser alheio a um "certo sentimento de nostalgia e saudade" de outros tempos.
Quem se restringe às colecções antigas também fala da falta do ritual de "abrir as carteirinhas" e do "molhinho para a troca".
Outros coleccionadores continuam a sentir o `frio` na barriga antes de perceber se vão ter novos cromos para colar.
Carlos testemunha essa ansiedade, mesmo sendo quase um coleccionador em `segunda mão`, ao acompanhar a filha de 16 anos e a pagar facturas nunca inferiores a 50 euros por colecção.
Este pai recorre a Manuel Santos, que fez da troca, compra e venda de cromos a sua profissão, à porta da estação ferroviária do Rossio e no Mercado da Ribeira, em Lisboa.
"Isto dá, dá, mas com a crise baixou um bocadinho", ressalva, porém, enquanto se defende das investidas dos clientes para baixar o preço dos `bonecos`.
No Rossio, também é fácil encontrar outro empresário das cadernetas, Manuel Henrique Pinto, que assume ser um "negócio rentável".
Normalmente, os preços dos cromos começam nos 25 cêntimos e chegam até aos 1,5/dois euros. Os mais difíceis de encontrar podem custar cinco euros, como os números 120, 121 e 140 do Dragonball. Contam os vendedores à Lusa que o `boneco` de Cristiano Ronaldo na caderneta do último campeonato europeu chegou a ser leiloado.
As caras mais conhecidas, as novas aquisições dos clubes e os guarda-redes também são classificados como cromos difíceis de obter.
Para os que seguem as novas colecções, as críticas centram-se no monopólio das colecções na Panini, "impossibilitando a diversificação" e a saída exclusiva de cromos em produtos alimentares.
A empresa recusa à Lusa o cenário de restrição de opções, referindo que apesar das colecções de futebol poderem ser as mais conhecidas, a editora tem um "vasto leque de outras".
Os coleccionadores ouvidos pela Lusa planeiam continuar o seu passatempo e contagiar os filhos. E se Alexandre Ribeiro sublinha que ser "impensável" fazer negócio, Américo Almeida até tem comprado "coisas repetidas, em preço, com o propósito de vender mais tarde com alguma valorização".