Café de Viana do Castelo é paraíso dos fumadores
Viana do Castelo, 09 Jan (Lusa) - O Café Brito tornou-se, por estes dias, numa espécie de "paraíso dos fumadores" de Viana do Castelo, ao permitir que os clientes acendam o cigarro em cerca de três quartos dos seus 80 metros quadrados.
Para os não fumadores, o estabelecimento apenas reserva um pequeno recanto de 20 metros quadrados, com sete mesas, que "está praticamente sempre às moscas".
"A área dos não fumadores só enche em dias em que dá futebol na televisão e não há lugares na zona em que é permitido fumar. Porque os meus clientes são quase todos fumadores", disse, à Lusa, o proprietário do estabelecimento.
António Brito disse mesmo que, após a entrada em vigor da nova lei do tabaco, a 01 de Janeiro, já começaram a aparecer "caras novas" no seu estabelecimento, ou seja, pessoas que frequentavam outros cafés e que passaram a ir lá, por saberem que podem fumar.
"Na cidade, que eu saiba, o meu é o único café onde se pode fumar. Há um senhor que passou a vir aqui praticamente todos os dias, desde a Avenida dos Combatentes [a mais de um quilómetro de distância], para beber a sua taça de vinho ou tomar o seu café", referiu António Brito.
Fumador inveterado, João Dias, 55 anos, enfermeiro e cliente antigo do Café Brito, acendia hoje cigarros atrás de cigarros, sentado a uma das mesas do estabelecimento, enquanto lia o jornal.
"Fumo três a quatro maços de cigarros por dia e passo largas horas do dia neste café. Se não pudesse fumar aqui, ia ter que procurar outro poiso. Podia vir cá tomar um cafezinho e ia-me logo embora, porque caso contrário teria que passar o tempo todo à porta, ao frio, ao vento ou à chuva", disse.
No próprio dia em que entrou em vigor a lei do tabaco, o Café Brito foi `visitado` por dois agentes da PSP, que "fizeram tenção" de o autuar por os seus clientes estarem a fumar.
"Mostrei-lhes os extractores de fumo de que o meu estabelecimento dispõe, li-lhes a lei e eles acabaram por ir embora, sem me autuar. Antes de permitir o fumo, aconselhei-me com a Associação Empresarial [de Viana do Castelo] e com outros especialistas, que me garantiram que a minha casa tem todas as condições para o efeito", acrescentou.
Sustentou, no entanto, que "não está livre que um dia destes lhe entre, pela porta dentro, a ASAE e implique com qualquer coisa".
"Parece-me é que a lei é muito confusa e que ninguém sabe ainda muito bem o tipo de extractores de fumo indicados", sustentou.
António Brito equipou, há cerca de cinco anos, o seu café com um sistema de exaustores, que integra igualmente o aquecimento, pelo qual pagou cerca de 8000 euros.
É com esse mesmo sistema que António Brito está a "contornar" a nova lei do tabaco.
"O que eu garanto é que, com este sistema, o fumo não chega à zona que defini para os não fumadores", sublinhou.
A lei diz que nos estabelecimentos com menos de 100 metros quadrados o proprietário pode optar por estabelecer a permissão de fumar, desde que os respectivos espaços estejam devidamente sinalizados.
Segundo a lei, diz, "esses espaços devem estar fisicamente separados das restantes instalações ou dispor de dispositivo de ventilação, ou qualquer outro, desde que autónomo, que evite que o fumo se espalhe às áreas contíguas".
Esses espaços de fumo devem ainda garantir ventilação directa para o exterior, através de sistema de extracção de ar que proteja dos efeitos do fumo os trabalhadores e os clientes não fumadores.
"Penso que o meu estabelecimento está dentro da lei, cumpre estes três requisitos", defende António Brito.
VCP.