Café Marinho da Arcada festeja 225 anos
O Café Martinho da Arcada, o mais antigo de Lisboa, celebra 225 anos a 7 de Janeiro, numa sessão a que assistirá o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e que conta com a participação da fadista Kátia Guerreiro.
Foi a 07 de Janeiro de 1782 que abriu portas a Casa da Neve, anos mais tarde baptizada Café Martinho da Arcada, actualmente o mais antigo da capital.
O poeta Fernando Pessoa foi um dos seus clientes mais conhecidos e, rez a a tradição, três dias antes de morrer, tomou café numa das suas mesas acompanh ado do também poeta e pintor José Almada Negreiros.
O poeta de "A Mensagem" adoptara o "Martinho" depois de ter sido o freq uentador d`A Brasileira do Chiado.
O nome de Martinho da Arcada ficou estabelecido em 1845, quando o então proprietário, Martinho Bartolomeu Rodrigues, se decidiu por esta denominação ao abrir o Café Martinho do Camões.
Mas o café-restaurante nas arcadas Norte da Praça do Comércio teve vári as denominações comerciais, de Casa da Neve passa, em 1784, a Casa de Café Itali ana.
Em 1795 é o Café do Comércio e em 1824 passa a Café da Arcada do Terrei ro do Paço, seis anos mais tarde é o Café Martinho, quando em 1845 passa a denom inação que ainda hoje ostenta.
Dia 07 de Janeiro, na sessão celebrativa do 225º aniversário do café, a fadista Kátia Guerreiro fará "um apontamento musical, evocando Fernando Pessoa e outros dois grandes poetas que nos orgulham", disse à Lusa fonte da sua produt ora.
Para a fadista "a escolha de dois outros poetas é difícil", não tendo a diantado à Lusa qualquer nome.
Kátia Guerreiro será acompanhada à guitarra portuguesa por Paulo Valent im, à viola por João Mário Veiga e no contrabaixo por Rodrigo Serrão.
A fadista editou o primeiro CD, "Fado Maior", em Junho de 2001, um trab alho cujas vendas ultrapassaram os 10.000 exemplares em Portugal e a L`Empreinte Digitale garantiu a edição mundial em Novembro de 2002.
Em Dezembro de 2003 editou o segundo álbum - "Nas mãos do fado" - onde, segundo o musicólogo Rui Vieira Nery, "largou amarras" e procura "com maior seg urança" um "repertório próprio com toda a margem assumida".
Em Outubro do ano passado editou o seu terceiro álbum, "Tudo ou nada", tendo voltado a interpretar um tema de António Lobo Antunes, "Disse-te adeus à p artida" na música do fado solene de Alberto Correia, e a visitar o repertório de Amália, de quem interpreta "Saudades do Brasil em Portugal" (Vinicius de Moraes ).
Além de Lobo Antunes, Kátia Guerreiro volta a interpretar neste álbum t emas assinados por Maria Luísa Baptista, de quem já gravara "Asas".
Outro autor reincidente é Paulo Valentim, autor de "Canto da fantasia" e ainda da música de "Minha senhora das dores".