Cais do Sodré pode `perder` Jamaica, Tokyo e Europa em abril

O Jamaica, o Tokyo e o Europa são três discotecas no Cais do Sodré que correm agora o risco de encerrar. A mais antiga tem quase 70 anos de existência e a mais recente 40. Espaços considerados "icónicos" da noite lisboeta e que podem desaparecer daqui a um mês, para que o prédio onde estão seja transformado em hotel.

Filipa Marques Henriques, José Carlos Fialho, Ricardo Passos Mota, Vítor Amorim, Paula Meira /
O Jamaica começou por ser uma casa de alterne, como tantas outras do Cais do Sodré. Foi logo depois do 25 de abril que se transformou na casa ímpar, onde se podia ouvir a música que não se ouvia em nenhum outro sítio de Lisboa. A mesma música que se ouve hoje.

Que o diga Mário Dias, que ali chegou em 1975. Foi o primeiro DJ deste espaço, num tempo em que a noite lisboeta respirava política.

Hoje, é o filho que lhe segue os passos. Bruno começou por ser DJ do Tokyo, na porta do lado, mas há 8 anos que o Jamaica é para ele o palco de todas as noites.

Jamaica, Tokyo e Europa ficam no mesmo prédio, na Rua Nova do Carvalho e daqui a um mês podem mesmo vir a encerrar.
O edifício tem 28 proprietários e está devoluto há mais de uma década. O objetivo será transformá-lo num hotel.

Os empresários das discotecas não estão contra a obra. Defendem apenas que é possível fazê-la sem serem despejados.

O projeto prevê, no entanto, que o Jamaica se mantenha onde está. Mas, para que isso aconteça, a renda teria que ser atualizada para 4000 euros mensais, contra os cerca 200 euros atuais.

O dono teria ainda que desistir de um pedido de indemnização em tribunal por ter encerrado há 5 anos, devido à derrocada dos dois últimos pisos do prédio.

O Jamaica manter-se-ia, assim, no mesmo espaço, com um contrato de arrendamento de 5 anos. Além disso, após a reabilitação, a loja seria entregue em bruto.

Ainda assim, Europa e Tokyo teriam que desaparecer.

O primeiro e mais antigo, tem quase 70 anos. É a casa da música eletrónica e, hoje, atrai desde logo as gerações mais novas.

O Tokyo, com quase 50 anos de idade, mudou de estilo e é hoje o palco de novas bandas, como o foi noutros tempos.

Europa, Tokyo e Jamaica têm ordem de saída até 14 de abril. Ainda assim, a Câmara Municipal de Lisboa agendou um encontro entre inquilinos e promotores imobiliários para 18 de março.

Decorre ainda uma petição pela manutenção dos três espaços, considerados "icónicos" por muitos frequentadores da noite lisboeta.
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