País
Cais do Sodré pode `perder` Jamaica, Tokyo e Europa em abril
O Jamaica, o Tokyo e o Europa são três discotecas no Cais do Sodré que correm agora o risco de encerrar. A mais antiga tem quase 70 anos de existência e a mais recente 40. Espaços considerados "icónicos" da noite lisboeta e que podem desaparecer daqui a um mês, para que o prédio onde estão seja transformado em hotel.
Que o diga Mário Dias, que ali chegou em 1975. Foi o primeiro DJ deste espaço, num tempo em que a noite lisboeta respirava política.
Hoje, é o filho que lhe segue os passos. Bruno começou por ser DJ do Tokyo, na porta do lado, mas há 8 anos que o Jamaica é para ele o palco de todas as noites.
Jamaica, Tokyo e Europa ficam no mesmo prédio, na Rua Nova do Carvalho e daqui a um mês podem mesmo vir a encerrar.
O edifício tem 28 proprietários e está devoluto há mais de uma década. O objetivo será transformá-lo num hotel.
Os empresários das discotecas não estão contra a obra. Defendem apenas que é possível fazê-la sem serem despejados.
O projeto prevê, no entanto, que o Jamaica se mantenha onde está. Mas, para que isso aconteça, a renda teria que ser atualizada para 4000 euros mensais, contra os cerca 200 euros atuais.
O dono teria ainda que desistir de um pedido de indemnização em tribunal por ter encerrado há 5 anos, devido à derrocada dos dois últimos pisos do prédio.
O Jamaica manter-se-ia, assim, no mesmo espaço, com um contrato de arrendamento de 5 anos. Além disso, após a reabilitação, a loja seria entregue em bruto.
Ainda assim, Europa e Tokyo teriam que desaparecer.
O primeiro e mais antigo, tem quase 70 anos. É a casa da música eletrónica e, hoje, atrai desde logo as gerações mais novas.
O Tokyo, com quase 50 anos de idade, mudou de estilo e é hoje o palco de novas bandas, como o foi noutros tempos.
Europa, Tokyo e Jamaica têm ordem de saída até 14 de abril. Ainda assim, a Câmara Municipal de Lisboa agendou um encontro entre inquilinos e promotores imobiliários para 18 de março.
Decorre ainda uma petição pela manutenção dos três espaços, considerados "icónicos" por muitos frequentadores da noite lisboeta.