Câmara de Bragança contra tarifas que paga gás natural mais caro do país
A Câmara de Bragança reclamou hoje do ministério da Economia a redução das tarifas do gás natural praticadas na região, que classifica de "exploração absurda das populações" Segundo dados divulgados recentemente pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), a região de Trás-os- Montes paga o gás natural mais caro do país, quase 43 por cento acima da média nacional.
Esta realidade é para o executivo camarário "uma dupla penalização" das populações que vivem em cidades frias como Bragança e que são obrigadas a consumir mais energia para garantir níveis mínimos de conforto.
O assunto foi levado a reunião da câmara de Bragança, que aprovou por unanimidade uma resolução a exigir do Governo a revisão dos preços dos gás natural e das condições de concessão e distribuição deste bem.
A resolução foi enviada ao ministério da Economia, administração da Galp, empresa distribuidora em Trás-os- Montes (DurienseGas), ERSE e autarquias abrangidas pela concessão.
No documento exige-se "com urgência a redução de preços, maior transparência à distribuidora e que a região seja ligada à rede de gasodutos através de condutas.
O gás natural chega actualmente a Trás- os- Montes através de camiões cisterna em estado líquido e passa por um processo de gaseificação.
Esta foi a razão apontada para a diferença de preços pelo administrador da Duriensegás, Melo Rodrigues, em declarações à Lusa recentemente num trabalho sobre os custos do frio.
Para além de pagarem o gás natural mais caro do país, os habitantes de Bragança pagam ainda mais Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) se tiverem uma casa com aquecimento central que encarece também o preço da habitação em cinco mil euros.
De acordo com dados divulgados pela ERSE, a DurienseGás aumentou nos últimos seis anos os preços do gás natural nesta região em 145,9 por cento, enquanto em Lisboa os preços subiram apenas 22,2 por cento e no Porto e Algarve baixaram.
Segundo as tabelas da Galp Energia, o escalão aconselhado para aquecimento central é 12 cêntimos mais barato em Lisboa do que em Bragança.
A distribuidora dispõe ainda de um outro escalão para a região de Trás-os- Montes indicado para maiores consumos e anunciado como mais económico.
O metro cúbico contínua, no entanto, a ser mais caro (três cêntimos) em Bragança e o termo fixo dispara para mais de 12 euros, sem IVA, enquanto em Lisboa varia entre 1,68 e 5,96 euros.
Em Bragança, os consumos mais baixos pagam 2,90 euros mensais de termo fixo.
A Câmara de Bragança responsabiliza a Duriensegás "pela absurda escalada subida de preços sem qualquer justificação aos seus clientes", acusando ainda de "não ter uma boa conduta empresarial, com agravante de se tratar de uma empresa pública".
A autarquia exorta os restantes municípios servidos pela concessionária (Chaves, Vila real, Amarante e Marco de Canavezes) a subscreverem esta tomada de posição e a realizarem reuniões conjuntas periódicas para acompanhar a evolução deste processo.
Manifesta ainda disponibilidade para mobilizar as populações em protestos contra a situação, referindo que, se necessário, envolverá "todos os consumidores que estão de forma absurda a ser explorados a e até maltratados" "Os cidadãos de Trás-os- Montes têm sido duramente castigados face a políticas de concentração de bens, serviços e investimentos no litoral, o que tem conduzido o país para situações de grandes desigualdades regionais", lê-se ainda na resolução camarária.