Câmara de Lisboa aprova envio de plano de pormenor do "campus" Campolide
A Câmara de Lisboa aprovou o envio do plano de pormenor do "campus" de Campolide da Universidade Nova de Lisboa à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT).
O envio da proposta preliminar do plano de pormenor à CCDR foi aprovado com os votos contra do PS, PCP e Bloco de Esquerda.
A proposta abrange uma área de 16 hectares e decorre da ampliação do "campus", onde será instalada a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, actualmente instalada na Avenida de Berna, onde estudam 3000 alunos.
No "campus" prevê-se ainda a construção do novo edifício da Faculdade de Direito e do edifício de expansão do Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação (ISEGI).
O plano prevê a criação de 1.040 lugares de estacionamento coberto e 210 lugares à superfície, e pretende que a área tenha um uso predominantemente pedonal.
A área de intervenção é constituída por dois espaços ligados por parte do "corredor verde" de Lisboa, sendo um deles limitado pelo Palácio Ventura Terra e o seu jardim histórico e, o outro, limitado a Norte pela Avenida Calouste Gulbenkian, a Nascente pela Rua da Mesquita e Rua Fialho de Almeida, a Sul pelo Tribunal de Justiça e Rua Marquês da Fronteira, Cadeia Penitenciária de Lisboa e, a Poente pela Rua de Campolide e Avenida Miguel Torga.
A vereadora socialista Isabel Seabra contestou a ausência de um estudo de tráfego, dado o aumento da população escolar vinda da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e considerou que o "campus" não é servido de boas acessibilidades.
Isabel Seabra considerou igualmente que "o índice de lugares de estacionamento não deve ser favorável, deve ser limitadíssimo".
Segundo a vereadora socialista, a Câmara deveria igualmente concertar com a Carris o um bom serviço de transportes à Universidade.
O vereador comunista Ruben de Carvalho considera que o plano "é o contrário do planeamento" porque "o que foi projectado está limitado não pelo que se vai fazer mas por aquilo em relação ao qual não se sabe o que vai acontecer", referindo-se nomeadamente ao destino da cadeira penitenciária.
"Uma zona tão importante como esta devia ser objecto de um planeamento muito mais vasto e muito mais integrado", sustentou.
Ruben de Carvalho considerou igualmente que a proposta implica um "prejuízo para o corredor verde" da cidade.
Semelhante posição teve o vereador eleito pelo Bloco de Esquerda, José Sá Fernandes, considerando que a proposta "contraria o plano verde que está previsto no PDM", Plano Director Municipal.
"Devia envolver as áreas envolventes, como o quartel, a penitenciária e outros edifícios", disse, acrescentando a necessidade de ter sido efectuado um estudo de tráfego.
Sá Fernandes teme que o plano seja recusado pela CCDR e considera que "devia ser integrado na revisão do PDM", que está em curso.
O plano mereceu a concordância da vereadora do CDS-PP, Maria José Nogueira Pinto.
"Vejo edifícios úteis e muito verde, portanto, gostei", disse.
O vereador com o pelouro do Ambiente e Espaços Verdes, António Proa (PSD), considera que a proposta cria "condições para favorecer a permanência de um equipamento universitário importante na cidade" .
Segundo o vereador, o plano impulsiona a "competitividade da cidade" e permite à Universidade Nova deixar de ser o "parente pobre" das universidades de Lisboa.