Câmara de Lisboa exige retirada de tenda de Renata Cambra do Rossio

Câmara de Lisboa exige retirada de tenda de Renata Cambra do Rossio

Um dia depois de permitir uma tenda "simbólica" de Renata Cambra no Rossio durante o Mercado de Natal, a Câmara de Lisboa determinou esta sexta-feira a retirada dessa mesma tenda para que os comerciantes se possam instalar.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: António Antunes - RTP

A notícia foi recebida pela ativista a partir de uma notificação entregue pela Polícia Municipal de Lisboa. 

A decisão de Carlos Moedas foi tomada esta sexta-feira para que o mercado de natal seja organizado. A autarquia cita um parecer da PSP para recusar a partilha do Rossio entre a “Acampada” e o mercado de Natal.

Em resposta à proposta da manifestante Renata Cambra para uma coabitação, a câmara lisboeta diz que não há conciliação possível e volta a pedir que o protesto pelo direito à habitação saia da praça D. Pedro IV e se mude para o Largo de São Domingos, Restauradores ou Martim Moniz.

No despacho a que a RTP teve acesso, o autarca de Lisboa determina que "a manifestação 'Acampada de Lisboa' deve deslocar-se para um dos seguintes locais: Largo S. Domingos, Praça Martim Moniz ou Restauradores". 

Carlos Moedas pede ainda que se notifique a PSP e os manifestantes sobre esta decisão. 
"Possível tensão entre comerciantes e manifestantes"

A RTP teve também acesso ao parecer da PSP citado por Carlos Moedas. As autoridades policiais emitem "parecer positivo" quanto à instalação do mercado de Natal na Praça D. Pedro IV, em Lisboa.

No parecer da PSP, as autoridades fazem referência à "presença de manifestantes e montagem de tendas na Praça D. Pedro IV" e que, perante a realização do Mercado de Natal, "ambas as iniciativas são inconciliáveis no mesmo local", adianta o parecer do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, citado por Carlos Moedas.

Para fundamentar esta decisão, a PSP adianta que, segundo informação da Associação da Dinamização da Baixa Pombalina, as "seguradoras não realizam seguros de responsabilidade civil relativo às barracas se estiverem a decorrer manifestações". 

Por outro lado, a PSP entende que a "ocupação do espaço público pelos manifestantes" impede "a montagem do mercado de Natal" e "perturba a livre circulação dos restantes cidadãos não afetos à manifestação/reunião/ajuntamento". 

São também mencionados os "níveis de ruído" que "inviabilizam a realização do mercado de Natal", assim como o "elevado potencial para afastar o público alvo". 

Por fim, é também citada a "possível tensão entre comerciantes, utentes do mercado e manifestantes" como motivo que fundamenta o parecer da PSP.

"É entendimento da PSP que deverão ser apresentados locais alternativos" para o protesto, conclui o parecer da PSP apreciado pelo autarca de Lisboa. 
Defesa pede nulidade do despacho

Num e-mail endereçado à Câmara Municipal de Lisboa, a advogada de Renata Cambra, Leonor Caldeira, adianta que pediu ao Tribunal Administrativo do Circulo de Lisboa que "declare a nulidade" do despacho emitido pela autarquia. 

Considera que este desrespeita "o que a sentença determinou quanto à compatibilização da manifestação com o Mercado de Natal", lê-se no e-mail a que a RTP teve acesso. 

"A sentença impõe às entidades administrativas competentes que adotem as soluções de acomodação necessárias à compatibilização de ambas as utilizações, admitindo uma localização alternativa apenas caso essa coexistência se revele materialmente inviável, questão que o próprio Município submeteu ao Tribunal e que se encontra pendente de decisão", expõe Leonor Caldeira. 

Em declarações à RTP Antena 1, Teresa Mamede, uma das porta-vozes da Acampada de Lisboa, lamenta que Carlos Moedas opte pela imposição.

Perante o despacho da Câmara Municipal de Lisboa, a Acampada de Lisboa afirma que já não sabe com o que pode contar

Os manifestantes vão decidir esta noite, em assembleia popular, o que fazer perante a ordem para sair da Câmara Municipal de Lisboa.
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