Câmara de Lisboa prepara plano de drenagem para gerir redes de esgotos

A Câmara de Lisboa avançou hoje com a elaboração de um Plano Geral de Drenagem para a cidade que visa melhorar a gestão das redes de esgotos e minimizar problemas como as inundações e a poluição.

Agência LUSA /

Lembrando que "Lisboa não tinha há mais de 50 anos nenhum instrumento de apoio à gestão a nível de saneamento básico", o presidente da Município, Carmona Rodrigues, sublinhou que este estudo é fundamental para fazer intervenções de forma planeada e melhorar problemas como as inundações e poluição provocada pelas descargas no Tejo.

O plano baseia-se num Sistema de Informação Geográfica (SIG) que contempla todo o cadastro de infra-estruturas, abrangendo os mais de 1.600 quilómetros de colectores e mais de 250 quilómetros de ramais que compõem a rede de saneamento da cidade.

"As intervenções que têm sido feitas limitam-se a tapar buracos.

O objectivo é fazê-las de forma programada", afirmou o autarca a propósito do contrato hoje assinado entre a EMARLIS (entidade que gere as águas residuais de Lisboa) e as empresas que vão fornecer o Sistema de Apoio à Decisão (SAD) para avaliar as necessidades de drenagem.

O SAD vai avaliar a capacidade de drenagem das infra-estruturas existentes, ou em fase de estudo, identificar acções para ultrapassar os problemas existentes, apoiar a exploração do sistema e acompanhar em tempo real situações de emergência.

"Vamos poder saber quais as implicações das novas urbanizações ou infra-estruturas rodoviárias sobre os sistemas de saneamento e escoamento", exemplificou Carmona Rodrigues, a propósito das vantagens deste estudo.

O presidente da EMARLIS, Manuel Lacerda, adiantou à Lusa que o Plano Geral deve estar concluído até ao final do ano.

"Teremos um estudo geral para a cidade e um outro mais detalhado para a zona de Alcântara", precisou, acrescentando que a escolha desta zona se deveu ao facto de estar "relativamente bem estudada" e ser representativa de uma série de problemas de inundações e poluição.

Em 1997, a zona baixa de Alcântara, bem como a Av. 24 de Julho e Algés foram gravemente afectadas por inundações.

Manuel Lacerda enumerou ainda uma série de "desafios" que se colocam ao saneamento de águas residuais: a rede está "envelhecida", o sistema recebe esgotos com origem nos concelhos vizinhos e mistura nos colectores águas residuais domésticas, águas pluviais e águas de infiltração.

O resultado é poluição e contaminação do rio, entrada de água do mar nos colectores e risco de inundações em caso de chuva intensa.

Para conhecer melhor as infra-estruturas e o comportamento hidráulico e ambiental do sistema deverá ser instalada uma rede de monitorização com sensores de medição de caudais em locais estratégicos e representativas.

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