Câmara de Odemira quer baixar para metade taxas de construção em terra
O presidente da Câmara Municipal de Odemira anunciou hoje que vai propor a redução para metade do valor das taxas de construção em taipa (terra), como forma de apoiar e promover a arquitectura tradicional, especialmente no interior.
"Apoiar a arquitectura tradicional, especialmente ao nível do interior, é fundamental para preservar as origens e a memória da região" afirmou António Camilo, em declarações à Agência Lusa, após um encontro com os participantes num seminário dedicado à arquitectura em terra.
"A construção em taipa é uma construção tradicional, que tem excelentes condições de habitabilidade, nomeadamente do ponto de vista térmico e não implica grandes custos, porque o material está cá" argumentou o autarca.
António Camilo garantiu que o município de Odemira vai premiar quem quiser arriscar neste tipo de construção tradicional, cujo custo tem um valor aproximado ao da edificação convencional.
Com este apoio, o autarca também pretende desmistificar a ideia de que as casas de tijolo são melhores do que as casas de taipa e promover uma construção sustentável que preserva o ambiente.
Para colmatar a falta de mão-de-obra, a autarquia vai insistir, junto dos Centros de Emprego, sobre a necessidade de formação nesta área de construção, segundo o autarca de Odemira, o maior concelho do país em área e com cerca de 26 mil habitantes.
As vantagens energéticas e ambientais da construção de terra foram apresentadas por conferencistas de vários países reunidos em Monsaraz, no IV seminário Ibero- Americano de Construção com Terra e III Seminário Arquitectura de Terra em Portugal, que terminam hoje com o segundo dia de visitas a construções em taipa, no Alentejo.