Câmara garante segurança do Metro do Porto, mas Escola de Enfermagem desconfia

O vereador do Urbanismo da Câmara do Porto, Lino Ferreira, garantiu hoje que estão a ser adoptadas medidas para minimizar o impacto da passagem do metro junto à Escola Superior de Enfermagem do Porto, no troço a inaugurar sábado.

Agência LUSA /

A passagem da linha do Metro do Porto a uns escassos 50 centímetros da entrada daquela escola é agravada pelo facto de nesse espaço estarem ainda instalados os postes de suporte da catenária, com 30 centímetros de diâmetro.

Esta situação levou hoje de manhã a um protesto dos alunos e professores da escola, exigindo a tomada de medidas de segurança que impeçam eventuais acidentes.

Em conferência de imprensa, Lino Ferreira adiantou estarem já acordadas entre câmara, Metro do Porto e Sociedade de Transportes Colectivos (STCP) três medidas a aplicar "de imediato" para aumentar a segurança.

Antes de mais, será colocado um semáforo na entrada e saída da escola, accionado automaticamente mal o metro se aproxime, que circulará à velocidade máxima de 20 quilómetros por hora.

O Metro do Porto vai ainda recuar os portões da escola, de modo a criar uma "bolsa de segurança" de três metros de profundidade por 16 de largura, de modo a que as pessoas que saiam ou entrem a pé no estabelecimento não fiquem logo em cima da linha do metro.

"É nossa intenção fazer tudo ao nosso alcance para diminuir qualquer perigo naquela zona", garantiu o vereador, que recordou não haver registo, até ao momento, em todas as linhas do metro, de acidentes com peões nas zonas pedonais que este transporte atravessa.

Segundo o autarca, estas medidas foram tomadas em parte de acordo com as sugestões da própria escola, que, garantiu Lino Ferreira, viu apenas uma proposta sua recusada pela Câmara do Porto - a de instalação de semáforos na rua adjacente, de modo a parar o trânsito sempre que saísse um veículo do estabelecimento.

Contactado pela Lusa, o director da Escola Superior de Enfermagem, Paulo Parente, explicou que o pedido de semáforo para a rua, conhecida pelos seus congestionamentos de trânsito, visava apenas impedir que um veículo que saísse da escola tivesse de esperar em cima da linha pela oportunidade de nela entrar, correndo o risco de entretanto alguma composição do metro se aproximar.

O responsável disse ainda não ter conhecimento formal das medidas propostas pela câmara, excepto da de redução da velocidade de circulação, mas considerou que não eliminam por completo os riscos.

"Claro que é melhor o metro circular a 20 quilómetros por hora do que a 80 e que a instalação de um semáforo no interior da escola e o recuo do portão diminuem os perigos de acidentes, mas sem um plano global eles continuam a existir. O metro do Porto não pode chegar à escola, dizer-lhe que a linha inaugura a 10 de Dezembro e que até lá têm de estar tomadas as medidas de segurança", disse Paulo Parente.

Manifestou a sua estranheza pelo facto do Metro do Porto ter a intenção de recuar em três metros o portão e o muro circundante da escola e ainda nem ter pedido autorização - que "será certamente dada" - à própria escola.

Daí que a direcção da escola mantenha a intenção - já transmitida à tutela governamental - de encerrar as portas do estabelecimento de ensino indefinidamente até que um plano articulado de segurança seja adoptado para a zona.

Este diferendo surgiu em torno da linha de ligação ao Hospital de S. João que o Metro do Porto inaugura sábado e que irá implicar uma alteração do trânsito em várias artérias envolventes.

O vereador do urbanismo da autarquia adiantou que o trânsito passará a ser feito em sentido contrário na Alameda Hernâni Monteiro, a via de ligação ao Hospital de S. João, onde serão instaladas para já duas faixas de rodagem, uma destinada a viaturas de emergência e outra para trânsito normal e autocarros.

Quanto as obras em curso nessa alameda terminarem, o que está previsto para 14 de Janeiro, ela disporá ainda de um corredor BUS, que já a partir de sábado funcionará na Rua Roberto Frias em sentido contrário ao da circulação normal dos automóveis.

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