Câmara Lisboa poderá trocar carro de Santana por dois
A Câmara de Lisboa está a estudar uma proposta de trocar o automóvel utilizado por Pedro Santana Lopes enquanto presidente da autarquia por duas viaturas, após ter tentado, sem sucesso, vender a viatura em duas hastas públicas.
O gabinete do vereador Pedro Feist, responsável pela frota municipal, está a estudar uma proposta da SIVA, empresa que vendeu em 2002 o Audi 8 usado por Santana Lopes e que terá custado cerca de 100 mil euros, adiantou à Lusa fonte municipal.
A proposta passa pela devolução do automóvel à empresa, recebendo a Câmara Municipal em troca dois Volkswagen Passat que poderão ser utilizados pelos serviços municipais.
Caso a proposta da empresa seja aceite, a Câmara Municipal coloca assim um ponto final à polémica da venda do carro do ex- presidente.
A autarquia promoveu em Janeiro uma hasta pública para vender a viatura, com o valor de licitação de 62.500 euros, e, na terça- feira, fez uma segunda tentativa, baixando o preço-base para os 52.000 euros, mas em ambas as ocasiões nenhum comprador se mostrou interessado.
O ex-autarca Pedro Santana Lopes enviou no dia 07 uma carta ao actual presidente, António Carmona Rodrigues, em que manifestava a sua intenção de adquirir o Audi 8, afirmando que para tal iria contrair um empréstimo bancário.
Na carta enviada a Carmona Rodrigues e a que a Lusa teve acesso, Santana Lopes afirma que a sua pretensão de adquirir o Audi não estava relacionada com "qualquer interesse especial no bem em causa, mas por força das circunstâncias", que preferiu não especificar.
O ex-presidente referia que a compra do carro foi uma "excelente oportunidade" e recordava que, antes de cessar funções na autarquia, comunicou a Carmona Rodrigues que tinha "mandado vender o carro", uma vez que sabia que o actual presidente "quase não o tinha utilizado e disso tinha dado pública notícia".
"Já aí tinha sido feita a comparação entre a sua `modéstia` e os meus `luxos`", acrescentava, dirigindo-se a Carmona Rodrigues, que foi vice-presidente da autarquia no início do mandato anterior, substituindo-o mais tarde, quando Santana Lopes se tornou primeiro- ministro.
Em declarações à Lusa na terça-feira, Santana Lopes afirmou que enviara a carta há uma semana e que não tinha recebido qualquer resposta do município, pelo que considerava que "o prazo passou".
Carmona Rodrigues, que se encontra em Cannes, França, a representar a Câmara Municipal num encontro internacional de imobiliário (MIPIM), tem escusado comentar este processo.