Câmara rejeita traçado do metro na Solum e exige compromisso escrito do Governo
Coimbra, 11 Mar (Lusa) - A Câmara de Coimbra rejeitou segunda-feira o traçado do metro ligeiro proposto para a Solum, tendo o presidente da autarquia exigido ao Governo que assuma por escrito a electrificação do troço urbano Parque-Coimbra B na primeira fase do projecto.
O traçado para a zona da Solum, com alterações propostas pela Metro Mondego, foi reprovado na reunião semanal do executivo municipal liderado pelo social-democrata Carlos Encarnação, após cerca de cinco horas de acesa discussão.
Votaram contra a opção da Metro Mondego para aquela área, junto ao Estádio Cidade de Coimbra, quatro autarcas da maioria, incluindo Carlos Encarnação, enquanto o vice-presidente João Rebelo, eleito também pela coligação "Por Coimbra" (PSD-CDS-PPM), se absteve.
Numa altura em que o vereador socialista Luís Vilar já não estava na sala das sessões, cerca das 22:30, votaram a favor três vereadores do PS e o eleito da CDU, Jorge Gouveia Monteiro.
"Se o Governo quer o projecto, terá de o dizer por escrito", afirmou Carlos Encarnação, frisando que esta exigência significa que não quer "ver o senhor presidente da Metro Mondego numa situação difícil".
No final dos trabalhos, numa reunião cuja ordem de trabalhos foi interrompida após a polémica votação, o presidente do conselho de administração da Metro Mondego, Álvaro Maia Seco, declarou "estar perplexo e tão ter percebido o sentido da votação".
"O troço urbano Ceira-Coimbra B (no actual Ramal da Lousã e que inclui a ligação de Coimbra-Parque e Coimbra B) é para ser electrificado", assegurou aos jornalistas o professor da Universidade de Coimbra.
Sem assumir, por enquanto, uma eventual posição ruptura com a Metro Mondego devido à posição aprovada pela autarquia de Coimbra, Álvaro Seco alegou que tem de falar primeiro com a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, por ter sido quem o convidou para a liderança do projecto do metro ligeiro de superfície em Coimbra, abrangendo um novo traçado na cidade e o ramal ferroviário da Lousã, entre Serpins e Coimbra B.
A exigência de electrificação do troço Ceira-Coimbra B, no Concelho de Coimbra, já na primeira fase das obras, cujo concurso público deveria ser lançado ainda em 2008, imposta por Carlos Encarnação, foi desvalorizada por Álvaro Seco.
O presidente da Metro Mondego disse que este problema "não existe", dado ter a garantia pessoal do Governo de José Sócrates de que a electrificação total da rede na cidade não está em causa.
Mas a Câmara Municipal de Coimbra, através do presidente, reclama o compromisso escrito de que o concurso público para electrificação do centenário Ramal da Lousã incluirá o troço Parque-Coimbra B já na primeira fase.
Questionado pelos jornalistas, Álvaro Seco previu, no entanto, que as posições da autarquia e do Governo venham a conciliar-se.
Caso contrário, admite afastar-se do projecto e da Metro Mondego.
Se não for encontrada "uma boa solução urbana" para o traçado em Coimbra, "não tenho interesse em estar presente".
"Tem que ser electrificado na primeira fase o troço entre Coimbra-Parque e Coimbra B", insistiu, por seu turno, Carlos Encarnação.
O chumbo do traçado urbano do metro, que tem suscitado a oposição de cidadãos da Solum e pais de crianças que frequentam três escolas da rua D. João III, suscitou uma dura reacção do vereador e deputado do PS Vítor Baptista.
"O presidente da Câmara cede à primeira pressão e não quer o metro em Coimbra", acusou.
Para Vítor Baptista, "isto é claramente enganar o cidadão de Coimbra".
A 27 de Agosto, a Câmara de Coimbra tinha aprovado, por unanimidade, um parecer favorável "às propostas técnicas de alteração do traçado da linha do Metro Mondego, no troço compreendido entre Coimbra B e Vendas de Ceira".
Segunda-feira, ao intervir perante o executivo, Álvaro Seco expressou "mágoa" face a posições da maioria, designadamente do presidente da Câmara e do vereador Marcelo Nuno, que acusou a empresa de apenas ter "produzido estudos e mais estudos" desde que foi criada, em 1996.
"Se os senhores mudam de opinião (face ao traçado da Solum), eu, como presidente da Metro Mondego, deixo de saber o que vou esperar em relação a outros troços urbanos do projecto. Confesso que não tenho nenhuma garantia", lamentou.
O professor universitário Matos Dias, em nome dos cidadãos que contestam o traçado da Solum, defendeu que a decisão sobre esta matéria deveria ser adiada para depois das eleições autárquicas de 2009.
"A eventual aprovação deste projecto nos moldes em que foi apresentado criará um grave precedente", advertiu.