Camiões em marcha lenta contra lei do licenciamento
Empresários de diversões, representando mais de 250 empresas, juntaram-se e efectuam uma marcha lenta dos seus veículos pesados do Parque das Nações onde regressarão após terem ido até Algés.
"Vamos (protestar) hoje e amanhã e o resto da semana até que resolvam o nosso problema. Não temos mais nada que fazer", advertiu Luís Paulo Fernandes, presidente da Associação Portuguesa de Empresários de Diversão (APED).
O problema destes empresários é o recém aprovado decreto-lei que prevê o licenciamento dos carrosséis que implica o pagamento de taxas que os empresários alegam não poderem pagar por já estar em situação de ou falência ou pré-falência. Exigem assim, a revogação do decreto-lei em causa.
Pretendem obter do Ministério da Economia um compromisso mas escrito que permita travar a entrada em vigor do novo regime de licenciamento dos carrosséis.
Sem outros meios para lutar contra a medida governamental, os empresários decidiram-se por este tipo de protesto que por incomodar a população de Lisboa, serve como forma de pressão para com os órgãos do poder político.
"Marchas lentas, marchas a pé, vamos ter de nos manifestar em terrenos particulares e públicos. Pedimos muitas desculpas ao povo de Lisboa, mas nós também existimos e temos de reivindicar os nossos direitos", justificava Luís Paulo Fernandes aos microfones da Renascença.
Quarta-feira é o dia que estipularam para uma resposta governamental que, caso não venha, terá como resposta a interposição de uma providência cautelar no tribunal administrativo.
Tentativa frustrada de desviar a marcha
Uma hora antes de arrancarem para a sua reinou alguma agitação no seio dos manifestantes concentrados no Parque das Nações.
Elementos da PSP presentes no local tentaram persuadir os manifestantes a seguir pela Cintura regional externa de Lisboa (CREL). Se por ai também poderiam chegar ao seu destino a verdade é que o impacto da marcha lenta seria muito menor razão pela qual não aceitaram as indicações policiais.
Muitos dos empresários chegaram a abandonar os seus camiões e a concentrarem-se em torno do seu dirigente e dos agentes policiais protestando contra tal hipótese que consideravam afastada.
"Assim não, quero, vou para casa", dizia uma manifestante, enquanto um colega corroborava: "só para gastarmos gasóleo não vale a pena".
A situação lá se apaziguou e todos regressaram aos seus veículos soprando cornetas de plástico que ensurdeciam policias, jornalistas e transeuntes.