Campanha do PNR ofende imigrantes e portugueses

O Alto-Comissário para a Imigração e Minorias Éticas, Rui Marques, considerou "profundamente ofensiva", não apenas para os imigrantes mas também para os portugueses, a campanha contra a imigração que o PNR lançou hoje em Lisboa.

Agência LUSA /

"Esta campanha é profundamente ofensiva, escandalosa mesmo, não apenas para os 400 mil imigrantes que diariamente constroem connosco o país, mas também para a memória histórica dos portugueses", disse Rui Marques, acrescentando que "ser português não é ser xenófobo".

O Partido Nacional Renovador (PNR) anunciou hoje o início de uma campanha contra os imigrantes em Portugal, afirmando que não se podem apoiar políticas que promovam a Imigração enquanto "houver Portugueses a viver na miséria".

A campanha incluiu a colocação de um cartaz no Marquês de Pombal, em Lisboa, em que se apela à saída dos imigrantes.

O cartaz, com a imagem de José Pinto Coelho, líder do PNR, e uma faixa "Portugal aos Portugueses", proclama "basta de imigração - nacionalismo é solução" e apresenta uma imagem de um avião em voo com a legenda "façam boa viagem".

Rui Marques, que hoje ao final da manhã presidirá a uma reunião da comissão permanente da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial para analisar este assunto, considera que este tipo de iniciativas causa "estragos" no trabalho diário de integração dos imigrantes em Portugal, que estão a ser alvo de uma campanha "evidentemente xenófoba e racista".

O alto-comissário defende que "continuar a trabalhar para que os portugueses sejam sensíveis à causa do acolhimento" é a melhor forma de responder a este tipo de iniciativas.

Apesar de sublinhar que o PNR tem pouca expressão em votos, Rui Marques considera, no entanto, que só a existência deste tipo de discurso "já é uma preocupação".

O responsável lembra ainda que discursos racistas e xenófobos existem em todo o mundo e que lá fora "atingem os portugueses".

Sobre a legalidade ou não da mensagem contida no cartaz do PNR, Rui Marques diz que apenas o Tribunal Constitucional poderá dizer se a "xenofobia é ou não compatível com a constituição e com um partido legal".

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