Cancros do estômago e cólon matam quase 6 mil pessoas por ano em Portugal
Cerca de seis mil pessoas morrem anualmente em Po rtugal vítimas dos dois tipos de cancro digestivo mais frequentes, cólon e estôm ago, revelou hoje o presidente do Grupo de Investigação do Cancro Digestivo (CIC D).
"Trata-se de duas das principais causas de morte por cancro no país, qu e fazem 5.633 vítimas por ano", precisou Evaristo Sanches, acrescentando que "2.
950 são casos de cancro do cólon [intestino grosso] e 2.683 de cancro do estômag o".
De acordo com o especialista, que falou à agência Lusa a propósito do 2 º Simpósio Nacional de Cancro Digestivo, que decorre em Beja no fim-de-semana, e stes "são números preocupantes", já que correspondem a "67 por cento do número d e novos casos anuais".
Surgem todos os anos em Portugal cerca de cinco mil novos casos de canc ro do cólon e mais de 3.400 de cancro do estômago.
"Estes tipos de cancro digestivo têm uma maior incidência nos homens, t anto no número de vítimas mortais, como no número de novos casos anuais", salien tou.
Na população masculina, no que respeita aos vários tipos de cancro, ind icou Evaristo Sanches, o do cólon é a segunda causa de morte, a seguir ao da pró stata.
Em quarto lugar, depois do tumor do pulmão, acrescentou, surge logo o c ancro do estômago.
Nas mulheres, continuou, o cancro do cólon é também a segunda causa de morte por esta doença, a seguir ao da mama e antes do cancro do estômago.
"Estatisticamente, no que respeita ao cancro do cólon, estamos em pé de igualdade com outros países europeus e ocidentais", afirmou Evaristo Sanches, f risando, no entanto, que "os casos de cancro do estômago em Portugal, tal como n a Espanha e em Itália, são superiores ao resto da Europa".
Organizado pelo CICD, o 2º Simpósio Nacional de Cancro Digestivo, que d ecorre até domingo, reúne 29 médicos e investigadores portugueses, brasileiros, espanhóis e norte-americanos que, perante mais de uma centena de participantes i nscritos, vão abordar várias temáticas relacionadas com o assunto.
O rastreio, o diagnóstico e os avanços no tratamento médico e cirúrgico dos cancros do cólon e do estômago, são as principais linhas de debate no encon tro, que Evaristo Sanches disse reunir "grande interesse científico para a inves tigação clínica em oncologia".
O especialista alertou para a luta contra estas doenças, a qual, explic ou, "assenta na prevenção, diagnóstico precoce e no tratamento eficaz e atempado ".
Uma alimentação saudável, através de refeições leves, ricas em verduras e pobres em sal e livres de gorduras, evitar o álcool, o tabaco e o café e prat icar exercício físico regular são as formas mais eficazes de prevenir os tipos d e cancro digestivo.
Evaristo Sanches destacou também a importância do diagnóstico precoce, frisando que "os cancros do estômago e do cólon, quando diagnosticados a tempo, ou seja, sem as lesões terem ultrapassado a parede dos órgãos, são curáveis em q uase 99 por cento dos casos".
No entanto, lamentou, "cerca de metade das pessoas com cancro do cólon e 80 por cento com cancro do estômago acabam, inevitavelmente, por morrer".
"O problema é que não há um método de rastreio eficaz, logo, quando os doentes chegam à consulta, já estão num estádio da doença avançado", justificou.
"Felizmente, os portugueses estão cada vez mais sensibilizados para os riscos da doença e para a necessidade de um diagnóstico precoce", regozijou-se.
O cancro do estômago, referiu, pode ser diagnosticado através de uma en doscopia, aconselhada a familiares de doentes ou a pessoas com sintomas de emagr ecimento, dificuldades em engolir, má digestão ou perda de sangue nas fezes.
No caso do cancro do cólon, o especialista aconselha o diagnóstico, atr avés de colonoscopia, a pessoas acima dos 50 anos ou com sintomas de alteração d os hábitos intestinais, perda de sangue nas fezes ou determinados tipos de diarr eia.