Candidatos de acordo que plano de Nogueira Pinto para Baixa-Chiado é "uma boa base de trabalho"
A maioria dos candidatos à Câmara de Lisboa defendeu a reabilitação da Baixa-Chiado, divergindo apenas nas soluções, com António Costa, Fernando Negrão e Telmo Correia a classificarem o plano de Nogueira Pinto como uma boa "base de trabalho".
"O plano [de Maria José Nogueira Pinto] nunca devia ter sido congelado, devia ter ido para discussão pública", defendeu o candidato do PS, António Costa, na segunda ronda de intervenções dos 12 candidatos no debate organizado pela RTP. Assinalando o consenso em torno da ideia de que a revitalização e recuperação da zona da Baixa-Chiado é "prioritária", o candidato socialista rejeitou, contudo, algumas propostas apresentadas no plano da ex-vereadora do CDS-PP Maria José Nogueira Pinto, como a construção de um túnel por baixo do Jardim da Estrela.
Questionado pelo candidato do Partido da Nova Democracia (PND), Manuel Monteiro, sobre se admitia alterar o plano de Maria José Nogueira Pinto, que já foi convidada pelo candidato socialista para colaborar com a autarquia caso o PS vença as eleições de domingo, António Costa respondeu apenas que o projecto da ex-autarca é "preliminar".
"Mas é uma boa base de trabalho", acrescentou.
Uma ideia corroborada pelo candidato social-democrata, Fernando Negrão, que reconheceu as "virtualidades" do projecto de Maria José Nogueira Pinto, nomeadamente as "soluções interessantes" que apresenta para a atracção de residentes.
Contudo, acrescentou, "há um problema de falta de informação" relativamente à forma de financiamento do plano
"Neste momento, a Câmara não tem dinheiro", salientou.
A questão do financiamento do plano para a Baixa-Chiado foi também focada pela candidata independente Helena Roseta, que considerou tratar-se de um projecto "pensado para a classe alta", já que iria "multiplicar por quatro" o valor dos prédios.
"Sou completamente contra a filosofia de financiamento proposta", reiterou.
A inviabilidade da solução de financiamento apresentada no plano elaborado pela ex-autarca do CDS-PP foi igualmente assinalada pelo candidato comunista, Ruben de Carvalho, que destacou o seu elevado custo e a eventuais "consequências imprevisíveis" para as finanças da autarquia.
Contrariando um pouco esta tese, o candidato independente Carmona Rodrigues considerou que a solução de financiamento preconizada no plano de Maria José Nogueira Pinto representa "um baixo encargo para a autarquia".
Contudo, admitiu o antigo presidente do município, eleito como independente nas listas do PSD nas últimas autárquicas, "em muitos aspectos do plano deve haver profundas alterações".
"Uma boa base de trabalho" foi também como o candidato do CDS-PP, Telmo Correia, classificou o plano de revitalização da Baixa-Chiado, que aproveitou para avançar com uma nova ideia: "não devem ser aprovados mais centros comerciais, para aproveitar o grande centro comercial que é aquela zona", referiu.
Num formato de debate que praticamente não permite o diálogo entre os candidatos, o candidato do PCTP-MRPP, Garcia Pereira ainda defendeu a necessidade de se discutir outras questões, antes de se partir para a revitalização da Baixa-Chiado, como "o que se quer para a Avenida Liberdade".
"O plano de Maria José Nogueira Pinto, por agora, é apenas uma boa base de trabalho", corroborou o candidato do PND, Manuel Monteiro.
Por sua vez, o candidato do Bloco de Esquerda, José Sá Fernandes, aproveitou para avançar com outras soluções para a revitalização da Baixa-Chiado, como a criação de um sistema de "quotas": "em cada cinco casas, uma deve ter um preço baixo", defendeu.
"Deve-se dificultar as entradas na cidade", preconizou, por outro lado, o candidato do Movimento do Partido da Terra, Pedro Quartin Graça, defendendo que a Brisa pague "uma comparticipação à Câmara de Lisboa" por cada automóvel que entre na capital.
A opinião mais radical sobre o plano de Maria José Nogueira Pinto veio do candidato do Partido Nacional Renovador (PNR), José Pinto Coelho, que o rejeitou liminarmente.
"É um plano megalómano, que não nos diz nada", sublinhou.
Mais desconcertante foi o candidato do Partido Popular Monárquico, Gonçalo da Câmara Pereira, que quase uma hora depois do início do debate sobre o plano de revitalização da Baixa-Chiado, considerou a sua discussão "um fait divers".