Caos na baixa de Póvoa do Varzim com serviços e lojas encerradas
Póvoa de Varzim, 27 out (Lusa) - Há mais de 30 anos que não seu via um cenário semelhante na Póvoa de Varzim, com garagens, lojas e casas alagadas e ainda serviços encerrados.
Depois de um final de tarde e princípio de noite de quarta-feira caóticos, bombeiros, Proteção Civil e população local estão mobilizados para remover a água e limpar os espaços das principais artérias da cidade, como a Praça do Almada, Tenente Valadim, ruas da Ponte, Junqueira e Sousa Campos, entre outras vias adjacentes.
Também chegou a hora de começar a contabilizar estragos que estão avaliados em "muitos milhares de euros", segundo os comerciantes locais.
Por exemplo, a Loja do Ambiente, da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, na Praça do Almada, está encerrada. A água preencheu a cave, onde estava "todo o arquivo do serviço", contou o vice-presidente da autarquia, Aires Pereira, que é também responsável pela Proteção Civil no município.
Pilhas de sacos com pastas de arquivos e material informático estão a ser colocados à porta daquele serviço pelos funcionários que vão lamentando os "anos de trabalho perdidos".
A Loja do Ambiente vai estar encerrada "até segunda-feira", mas os casos mais urgentes podem ser resolvidos no edifício principal da autarquia.
Mesmo ao lado, o Instituto Maria da Paz Varzim, que acolhe crianças carenciadas, vai estar fechado nos próximos dias, porque o rés do chão, onde funcionava o jardim de infância, "ficou destruído", avançou a educadora Maria João Andrade.
"O soalho flutuante terá que ser reposto e todo o material didático, brinquedos, mesas e armários que ali se encontravam ficaram danificados", disse ainda.
Também Manuel Moreira, proprietário de uma pastelaria na Rua Sousa Campos e morador na Praça do Almada explicou que "em 23 anos" nunca viu nada igual.
Ao final da tarde da quarta-feira a chuva começou a inundar a zona, mas o comerciante nunca imaginou que "em poucos minutos tudo ficasse completamente alagado".
Os dois metros e meio de altura da cave, que dá apoio à pastelaria e onde tinha guardados "ovos, massas, farinhas, cremes máquinas, arcas e frigoríficos, ficaram "completamente submersos".
"Não conseguimos fazer nada", lamentou.
Em relação aos prejuízos, não consegue ainda quantificá-los, avançando que serão "uns bons milhares de euros".
Apesar de a situação já não ser caótica, Aires Pereira avançou à Lusa que, ao longo da manhã de hoje, "as solicitações dos bombeiros e Proteção Civil continuam a ser muitas".
"Temos pessoas com casas, garagens e armazéns inundados. Também há registo de desabamento de muros", explicou.
O município tem "na rua mais de 200 funcionários que estão todos mobilizados para proceder à limpeza dos espaços e retirada de bens que ficaram submersos".
"Vai ser um trabalho que se prolongará nos próximos dias, até ser reposta a normalidade", disse.
Mas há casos ainda preocupantes no resto do município da Póvoa de Varzim, "como a subida do Rio Este, em Balasar, que impede, para já, a intervenção dos serviços de limpeza e remoção das águas", explicou Aires Pereira.
Também em Aver-o-Mar, "o rio transbordou e apesar de a circulação automóvel na EN 13 já ter sido reposta, há muito trabalho a fazer", concluiu.