Cáritas de Viseu tem armazém "quase vazio" e cada vez mais pedidos de ajuda

Viseu, 15 mai (Lusa) -- O presidente da Cáritas Diocesana de Viseu, José Borges, admitiu hoje que o armazém da instituição está "quase vazio", numa altura em que recebe cada vez mais pedidos de ajuda.

Lusa /

Segundo José Borges, no ano passado, a Cáritas Diocesana de Viseu ajudou 2.951 famílias, num total de 7.082 pessoas. Este ano, só no primeiro trimestre, já apoiou 697 famílias, correspondentes a 2.423 pessoas.

"Estamos num ritmo elevado. Se continua assim, a situação vai complicar-se, mas estamos cá para resolver as coisas", garantiu o responsável, em declarações aos jornalistas no final da sessão de apresentação da plataforma Dar e Receber, um projeto da Cáritas e da Entreajuda.

José Borges disse que "as pessoas cada vez aparecem mais" a pedir ajuda, estando também a surgir situações de pobreza encoberta.

"Pessoas que tinham a sua vida estabilizada hoje batem envergonhadamente à nossa porta. Ou, através de outras pessoas, vêm pedir ajuda para pagamento de algumas dívidas e de bens básicos, pagamentos de renda de casa, de água, de luz e também para a parte alimentar", contou.

O responsável assegurou que, como instituição oficial da Igreja Católica, a Cáritas "não pode por ninguém na rua" e tem de ajudar todos os que lhe batem à porta.

"Nós não desistimos, não deitamos a toalha ao chão. Vamos continuar a contactar parceiros, empresas, que possam doar seja o que for, quer bens, quer alimentos, quer organizando-se através dos seus grupos de trabalho para que nos possam ajudar", explicou.

José Borges depositou também esperança na plataforma Dar e Receber, fazendo votos para que as pessoas, "além de doarem o seu tempo, também doem equipamentos e outras ajudas".

Durante a cerimónia, o cónego Arménio Lourenço, da Diocese de Viseu, apelou a que todos se consciencializem das situações de pobreza à sua volta e se preocupem com quem passa dificuldades.

"Temos que nos convencer de que, ao nosso lado, muito próximo, está alguém que precisa de nós. Temos de nos unir, porque só em união poderemos atravessar esta crise", frisou.

A plataforma Dar e Receber - que estabelecerá a ligação entre quem tem alguma coisa para dar, seja tempo ou bens, e quem precisa de receber - vai arrancar em Braga, Vila Real, Viseu, Setúbal e Évora.

A plataforma agregará a Bolsa do Voluntariado, um portal destinado à procura e oferta de voluntariado, e o Banco de Bens e de Equipamentos, que faz chegar às instituições produtos não alimentares doados por empresas e particulares.

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