Carlos César "não tem o hábito de faltar à verdade" - Governo Açores

O vice-presidente do Governo dos Açores afirmou hoje que o chefe do executivo regional "não tem o hábito nem a n ecessidade de faltar à verdade aos açorianos", ao referir-se ao pagamento das dí vidas do Estado ao arquipélago.

Agência LUSA /

"O senhor presidente do Governo Regional não tem o hábito nem a necessi dade de faltar à verdade aos açorianos", disse Sérgio Ávila numa curta declaraçã o na ilha das Flores, onde o executivo liderado pelo socialista Carlos César se encontra em visita oficial.

Sérgio Ávila reagia à declaração feita hoje pelo primeiro-ministro na A ssembleia da República de que "não houve nenhuma reunião nem nenhuma negociação" com Carlos César sobre um eventual pagamento de dívidas da República à Região A utónoma dos Açores.

José Sócrates, por sua vez, respondia ao deputado do CDS-PP António Pir es de Lima, que se referiu em plenário a uma notícia de hoje do Diário Económico , segundo a qual Carlos César garantiu o voto a favor do OE para 2006 dos deputa dos do PS eleitos pelos Açores depois de o Governo ter garantido o pagamento da dívida da República à região.

O primeiro-ministro considerou a alegada "compra" de votos dos deputado s do PS/Açores "um insulto" para os governos da República e Regional, mas admiti u que a ideia de uma negociação possa ter resultado de "um equívoco", porque se verificou "uma evolução no grupo de trabalho que já existia antes para resolver o problema da dívida" reclamada pelos Açores e a Madeira.

Na terça-feira à tarde, na cidade da Horta, Carlos César anunciou ter c hegado a um entendimento com o Governo da República sobre a dívida do Estado aos Açores e admitiu que as "negociações foram mais tensas do que é habitual", o qu e atribuiu à "difícil situação do país".

O presidente do Governo garantiu, ainda, que o "acordo" inclui o compro misso do executivo de José Sócrates de "satisfazer o pagamento desta dívida até 2008", de forma a articular nos próximos meses.

Além disso, o "entendimento" prevê a "transferência imediata, nos prime iros meses de 2006", dos acertos das receitas fiscais que são devidas aos Açores , num montante de cerca de 34 milhões euros.

O presidente do Governo Regional, que em Outubro tinha admitido que os deputados do PS/Açores não tinham condições para votar a favor do OE para 2006, salientou, na altura, ter razões para estar satisfeito.

"Considero que existem, agora, todas as condições para estarmos solidár ios com o Governo da República na proposta de Orçamento do Estado, no espírito q ue ela tem e no que representa de desafio para a recuperação económica e finance ira do país", disse então.

Segundo afirmou hoje, nas Flores, o vice-presidente Sérgio Ávila, as af irmações de Carlos César "não têm implicação directa na proposta de Orçamento do Estado", que começou hoje a ser discutida na Assembleia da República.

Em comunicado antes do debate no Parlamento, o gabinete de Carlos César considerou "insultuoso para a região dizer-se que o Governo da República compro u o voto açoriano", com vista à aprovação do Orçamento.

"Nem o primeiro-ministro, nem o Governo da República alguma vez precisa ram desse voto para aprovarem o Orçamento de Estado", lê-se no comunicado.

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