Carlos Silvino foi libertado
O principal arguido do processo de pedofilia na Casa Pia foi libertado às 00:06 de hoje dos calabouços da Polícia Judiciária em Lisboa, onde se encontrava em prisão preventiva há exactamente três anos.
Carlos Silvino, mais conhecido por "Bibi", saiu a alta velocidade num carro acompanhado pelos advogados José Maria Martins e Ramiro Miguel, escoltado por dois batedores da PSP.
"Bibi" foi libertado cinco minutos depois da hora prevista, sob um grande aparato mediático e policial, mas sem presença de "mirones".
Os advogados José Maria Marins e Ramiro Miguel tinham chegado ao estabelecimento prisional da Polícia Judiciária localizado na rua Gomes Freire, em Lisboa, cerca das 23:30 de quinta-feira, mas escusaram-se a prestar depoimentos à comunicação social.
Depois de deixar o estabelecimento prisional a PJ, Carlos Silvino seguiu para casa, no Bairro de Santos, em Palhavã, onde chegou às 00:13 e entrou no prédio onde mora sem prestar quaisquer declarações.
O arguido chegou a pé à rua do prédio onde reside, cuja porta era guardada por agentes da polícia, que montaram um aparato mínimo para receber "Bibi".
Entrou no prédio acompanhado de três homens vestidos à civil, tapando a cara para evitar ser fotografado, o que acabou por se revelar ainda mais difícil porque a comunicação social estava à espera que chegasse de automóvel e não a pé.
à entrada, ouviram-se alguns insultos proferidos por vizinhos do principal arguido do processo Casa Pia.
É esta animosidade em relação a Carlos Silvino que justifica a segurança policial constante que terá a partir de agora.
Acusado de 639 crimes, Silvino estava preso preventivamente na zona prisional da Polícia Judiciária de Lisboa desde 25 de Novembro de 2002.
A juíza que preside ao colectivo que está a julgar o caso decidiu que Carlos Silvino não se poderá ausentar do país nem da sua área de residência e ficará sujeito a apresentações periódicas junto das autoridades.
"Bibi" era o único arguido do processo que se encontrava ainda em prisão preventiva, ficando a partir de agora sob protecção policial até ao final do julgamento, que decorre há um ano.
De acordo com o artigo 215 nº 3 do Código Processo penal, três anos é o prazo máximo que um arguido pode ficar preso preventivamente, desde que se trate de caso de especial complexidade como o processo Casa Pia.
O julgamento do processo Casa Pia começou a 25 de Novembro do ano passado, no Tribunal da Boa Hora, em Lisboa.
Além de "Bibi", este caso senta no "banco dos réus" o apresentador de televisão Carlos Cruz, o médico Ferreira Diniz, o embaixador jubilado Jorge Ritto, o advogado Hugo Marçal e Gertrudes Nunes, dona de uma casa em Elvas onde alegadamente terão ocorrido abusos sexuais de menores da Casa Pia.
Já este mês o Tribunal da Relação de Lisboa decidiu, em resposta a um recurso do Ministério Público, não levar a julgamento o ex-ministro Paulo Pedroso, o humorista Herman José e o arqueólogo Francisco Alves.
Só três dos arguidos prestaram declarações, faltando ainda ouvir oito das 32 testemunhas/vítimas e praticamente todas as centenas de testemunhas arroladas.