Carmona Rodrigues diz que Lisboa tem dos melhores transportes da Europa

O presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, defendeu hoje que os transportes públicos em Lisboa são dos melhores da Europa e que são preteridos face ao automóvel por erros no planeamento da cidade.

Agência LUSA /

O autarca e ex-ministro, que participou numa mesa redonda sobre as estratégias de transportes em Portugal, promovida pela Universidade de Aveiro, revelou que está a ser feito "um plano de mobilidade com características inovadoras", no âmbito da revisão do Plano Director Municipal(PDM).

"Tem de haver interacção entre a questão dos transportes e do Plano porque muitos dos problemas dos transportes residem no mau planeamento", declarou.

Para Carmona Rodrigues, "em Lisboa os transportes públicos são confortáveis e estão na primeira linha do que de melhor há na Europa", pelo que "não é por aí que há diminuição da procura".

O autarca salientou que o centro de Lisboa perdeu 25 por cento de população em 20 anos, defendendo medidas de fundo como a "deslocalização de edifícios públicos", a criação das autoridades metropolitanas de transportes, a Lei das Rendas (para combater a desertificação) e a criação das sociedade de reabilitação urbana.

Quanto aos estacionamentos subterrâneos, Carmona Rodrigues justificou a sua necessidade na capital alegando que "Lisboa ainda tem défice de estacionamento nalgumas zonas residenciais".

Questionado acerca da utilidade do túnel do Marquês, o autarca disse que servirá para descongestionar o trânsito, ao promover o desnivelamento de quatro cruzamentos, com benefício para o transporte público.

"A velocidade comercial da Carris é de 14,6 quilómetros por hora e se aumentar para 15,6 terá um ganho de cinco milhões de euros", justificou.

Da assistência veio a observação de que a velocidade das bicicletas é da ordem dos 19 quilómetros/hora e a crítica de que os velocípedes continuam a ser encarados na capital como mero meio de lazer.

O presidente da Câmara de Aveiro, cidade pioneira na introdução de bicicletas de utilização gratuita, referiu que esta medida "foi uma aposta ganha, dadas as características da cidade" e que "a percentagem de perdas é irrisória face ao ganho social".

Deu conta da dificuldade de articulação das políticas de planeamento e transporte à escala intermunicipal, dando como exemplo a dificuldade em gerir os transportes públicos de Aveiro, cuja frota por vezes transporta poucos passageiros, enquanto municípios vizinhos têm passageiros, mas não têm autocarros.

Citou ainda o facto de Aveiro e Ílhavo estarem a planear as suas vias principais "sem uma única reunião", para concluir que a recente criação da Grande Área Metropolitana de Aveiro pode ser uma referência para essa cooperação".

Marina Ferreira, da Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa, deu exemplos de como é possível inverter a diminuição na procura de transporte público, referindo que o Euro2004 foi um bom exemplo de como se podem movimentar milhares de pessoas pelo transporte público.

Já quanto ao uso da bicicleta em Lisboa "não será uma realidade nos anos mais próximos", disse.

"Verifica-se que há muita gente a usar a bicicleta por lazer, o que não se verificava há quatro anos, e estamos ainda no início desse processo", acrescentou.

Por seu lado, o presidente da Autoridade Metropolitana de Transportes do Porto, Amândio Oliveira, considerou que o excesso de tráfego nos centros urbanos terá de ser combatido penalizando o uso do automóvel e encarecendo o estacionamento, dando uma maior previsão do tempo de viagem ao utente do transporte público e tornando algumas deslocações desnecessárias, através do ordenamento do território e da utilização das novas tecnologias.


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