Casa Pia - Métodos de investigação questionados por Ricardo Sá Fernandes

Ricardo Sá Fernandes, advogado do arguido Carlos Cruz no processo Casa Pia, pôs hoje em causa os métodos de investigação do caso por parte dos investigadores da Polícia Judiciária (PJ).

Agência LUSA /

Na sessão 201 do julgamento, o Tribunal voltou a ouvir o inspector da PJ José Alcino, um dos responsáveis pela investigação e que já tinha prestado declarações na semana passada.

Desde logo Ricardo Sá Fernandes quis saber porque razão não estavam desde o início no processo dados sobre a história e antecedentes dos jovens alegadamente vítimas de abusos sexuais, e porque é que a equipa de investigação não tinha psicólogos ou psiquiatras, questões que o inspector não soube responder.

José Alcino justificou-se depois com um "não ocorreu" ao facto de não terem sido gravados os depoimentos das testemunhas/vítimas.

O advogado quis também saber porque razão há autos de reconhecimento de locais que estão completos e outros sem referência a horas ou à forma como se chegou a esses locais, um questão à qual José Alcino também não soube responder.

Ainda que tendo garantido que a equipa de investigação nunca negligenciou nenhum acto processual e que não foi afectada pela empatia que tinha para com os jovens, tantas hesitações do inspector levaram mesmo o advogado de Carlos Cruz a lembrar-lhe que não é ele que é arguido no processo.

Outra das questões de Sá Fernandes prendeu-se com a falta de desenhos dos locais onde terão sido abusados grande parte dos rapazes, tendo José Alcino respondido que os jovens não os conseguiam fazer.

"No tribunal fizeram", afirmou Ricardo Sá Fernandes.

José Alcino regressa sexta-feira a Tribunal, podendo a juíza que preside ao colectivo, Ana Peres, aceitar o requerimento hoje apresentado por Sá Fernandes, no sentido de serem apresentadas a José Alcino fotografias de personalidades que uma das testemunhas terá apontado como conhecendo, entre um grande rol de fotos que foram mostradas aos jovens.

Quinta-feira o Tribunal ouve mais dois inspectores da PJ, Helena Almeida e Valter Lucas, estando marcada para sexta-feira, além de José Alcino, a presença do inspector- chefe Dias André.

Na próxima semana está a agendada a audição de, entre outros, Américo Henriques (mestre Américo) e Fátima Consciência, da Casa Pia. No dia 10 será ouvida a jornalista Felícia Cabrita, que tornou público o caso de pedofilia na Casa Pia.


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