Cascais quer reunir com Oeiras e Lisboa para insistir na gestão da linha ferroviária

Cascais quer reunir com Oeiras e Lisboa para insistir na gestão da linha ferroviária

Depois do Governo anunciar o estudo da subconcessão dos urbanos da CP em Lisboa e no Porto, a Câmara de Cascais volta a acenar com uma empresa intermunicipal para gerir a linha ferroviária que liga o concelho a Lisboa. Mas o autarca não fica "chocado" se a gestora da Carris Metropolitana ficar nos comandos da Linha de Cascais.

Gonçalo Costa Martins - Antena 1 /
Foto: Nuno Patrício - RTP

A Câmara Municipal de Cascais quer marcar esta semana uma reunião com os autarcas de Oeiras e Lisboa para voltar a falar de um objetivo comum: gerir a linha ferroviária que atravessa os três concelhos.

“Vou ainda durante esta semana agendar uma reunião de trabalho entre os três municípios para articularmos esta nova fase do potencial de concessão”, afirma o presidente Nuno Piteira Lopes à Antena 1.
A autarquia reafirma o interesse na Linha de Cascais, depois de na semana passada ser anunciado que a CP está a estudar a subconcessão de linhas urbanas da CP em Lisboa e no Porto. 

Piteira Lopes considera “importante agora atualizar e garantir que os três presidentes eleitos continuam alinhados naquilo que é este objetivo estratégico para a linha de caminho de ferro de Cascais”.

Apesar do Governo querer entregar a exploração a operadores privados, o autarca de Cascais, Nuno Piteira Lopes, defende uma empresa intermunicipal gerida pelos três municípios. 
O autarca mostra-se convencido que esta solução pode ter uma “uma melhor articulação e uma maior integração entre os diferentes meios de transporte, quer seja os autocarros, as bicicletas, o parqueamento automóvel e a ferrovia”.

Admite até que optem “em conjunto ou individualmente cada uma das câmaras pela gratuidade e coesão, ou seja, potenciar as políticas de transporte gratuito em cada um dos municípios”, sendo que os autocarros em Cascais já são gratuitos, através da MobiCascais.

Questionado sobre o investimento que a Câmara de Cascais estaria disposta a fazer, Nuno Piteira Lopes não clarificou, assumindo que o objetivo “não é ter lucro”, mas antes retirar pessoas do transporte individual e dar melhor oferta. 

A Linha de Cascais está a ser modernizada e é esperado que só a partir de 2029 comecem a chegar os comboios que vão renovar todo o material deste troço entre Cais do Sodré, em Lisboa, e Cascais. Gestão da TML? “Não me choca”
O Governo deu 90 dias para a CP apresentar um modelo para subconcessão a privados de quatro serviços de linhas urbanas, pelo que no mês de abril poderão existir novidades sobre este processo que abrange Sintra/Azambuja, Sado, Cascais e todos os urbanos do Porto.

“A CP fez um estudo preliminar e apontou quatro rotas”, afirmou o Ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, no briefing do Conselho de Ministros do dia 22 de janeiro, sublinhando que a empresa apontou viabilidade e “vontade do mercado aderir a este tipo de soluções, que há vantagens para a própria CP”. 

O governante acredita que no segundo semestre deste ano, ou seja, entre junho e dezembro será possível falar de “soluções finais e lançamento de concursos”, já com uma proposta da CP sobre quem iria gerir a operação e o material circulante.

Os grupos Transdev e Barraqueiro (que detém a Fertagus, o Metro do Porto e o Metro Transportes do Sul) já se mostraram interessados no processo. 

Nas áreas metropolitanos de Lisboa e do Porto, há duas empresas que já têm responsabilidades na área da mobilidade. Os Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) são uma iniciativa dos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa. Esta entidade gere a operação da Carris Metropolitana, marca de autocarros com quatro operadores privados - Rodoviária de Lisboa, Viação Alvorada, Alsa Todi e Transportes Sul do Tejo (TST).

Embora prefira uma gestão intermunicipal, Nuno Piteira Lopes não rejeita que a TML fique no leme da Linha de Cascais: “Nunca pensei em concreto nessa solução”, mas “não me choca nada que a TML pudesse ela própria assumir-se como um operador para fazer a gestão comercial da linha de Cascais”.

A Antena 1 já questionou a TML e outros municípios da AML sobre o interesse na gestão de linhas urbanas na região. 

No caso dos Transportes Metropolitanos do Porto, responsável pela marca Unir, já respondeu à Antena 1 que se coloca, nesta altura, à margem do processo, pois “a sua atuação centra-se na organização e regulação do transporte público (...) do serviço rodoviário de passageiros”.
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