Caso Joana em tribunal

Os irmãos Leonor e João Cipriano, que estão a ser julgados em Portimão pelo homicídio da pequena Joana, recusaram-se a falar após a leitura da acusação no início da primeira sessão do julgamento.

Agência LUSA /
Leonor Cipriano à chegada ao tribunal Lusa

Na sessão, que começou mais de uma hora depois do previsto, já foram ouvidas nove das 45 testemunhas, todas elas arroladas pela acusação.

As primeiras testemunhas, ligadas ao passado de Leonor Cipriano, puseram em causa o seu desempenho como mãe relativamente aos seis filhos que teve de cinco relações.

A testemunha Maria do Carmo, mãe de Vítor, uma das mais remotas ligações de Leonor, declarou em tribunal que esta abandonou a mais velha das suas filhas, Dina, hoje com 15 anos, aos 11 meses de idade.

"A primeira vez que a vi depois disso foi na televisão, a seguir a estes acontecimentos", asseverou, garantindo que naquele intervalo de 14 anos "a Leonor nunca quis saber da filha".

Perante o tribunal de júri formado por sete elementos (três juízes e quatro jurados) e presidido pela juíza Alda Casimiro, o filho de Maria do Carmo corroborou a versão de sua mãe, garantindo que, também ele, nunca foi contactado pela progenitora.

Uma outra testemunha, Francisco José Encarnação, disse que depois de ter deixado de viver com Leonor, há cerca de quatro anos, chegou a encontrar o filho de ambos, André, de poucos meses, "sozinho em casa e sentado numa cadeira de bebé".

A mesma testemunha garantiu em tribunal que ele próprio encontrou a menina desaparecida há um ano "fechada, de castigo na casa de banho".

Maria Inácia, mãe de um outro ex-companheiro de Leonor, entretanto falecido, garantiu que Marco - filho de ambos, hoje com 11 anos e que agora vive em sua casa -, deixou de viver com a mãe aos dois meses e que, desde então, nunca mais foi procurado por ela.

"Durante aqueles dois meses, a mãe não lhe dava banho", asseverou.

O pai de Joana, Paulo Jorge Guerreiro, assumiu em tribunal que nunca deu qualquer meio de sustento à sua ex- companheira, porque "não queria sustentar os vícios" de Leonor: álcool e tabaco.

O tribunal ouviu também a professora da menina, que a descreveu como "uma criança triste", afirmando que, a 20 de Janeiro de 2004, no seu primeiro dia de aulas, chegou atrasada e sozinha à escola.

A professora, Maria Isabel Alves, garantiu que Joana nunca lhe disse porque andava triste, excepto uma vez, quando justificou a sua tristeza com o facto de a mãe se ter zangado com o padrasto, Leandro.

O antigo patrão de João Cipriano, servente de construção civil, declarou que "a maior parte das vezes era Joana quem varria a casa", que normalmente estava suja, embora a menina se apresentasse "limpinha".

O tribunal ouviu ainda uma psicóloga do Centro de Protecção de Crianças de Portimão e um conhecido de João Cipriano, que lhe deu boleia na madrugada anterior ao desaparecimento da menina.

O homem, José Assunção, garantiu que na altura João Cipriano levava consigo uma mala de roupa.

A sessão, entretanto interrompida para almoço, prossegue às 14:00.

PUB