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Saúde
Casos de depressão e ansiedade quase duplicaram desde 2011
O Programa Nacional para a Saúde Mental 2017, entregue esta terça-feira no Jardim Botânico da Ajuda, em Lisboa, revela que o número de utentes em cuidados de saúde primários (CSP) com depressão e ansiedade quase duplicou desde 2011. O diretor-geral da Saúde, Francisco George, aponta como um dos indicadores mais relevantes do relatório a estabilização do número de suicídios em cerca de mil casos por ano.
Segundo o programa para a saúde mental, a percentagem de utentes que em 2011 sofriam de perturbações depressivas seria 5,34 por cento. Em 2016 a percentagem subiu para 9,32, registando o dobro de pessoas com este diagnóstico.
No que diz respeito às perturbações de ansiedade, havia registo de 3,51 por cento de utentes em 2011. Já no ano passado sofriam desta patologia 6,06 por cento, praticamente o dobro desde há cinco anos. Os utentes em situação de demência aumentaram, passando de 0,40 por cento em 2011 para 0,79 por cento em 2016.
O maior registo de utentes inscritos ativos em CSP com perturbação depressiva, de ansiedade e com demência encontra-se nas regiões do Centro e do Alentejo.
Suicídio
O maior número de doentes mentais encontra-se na região do Alentejo. O número de suicídios é também mais significativo nesta região e a taxa de mortalidade por suicídio tem maior incidência na faixa etária igual ou superior a 65 anos.
Segundo o relatório da Direção-Geral da Saúde, o suicídio verifica-se sobretudo em pessoas com doenças mentais graves, na sua maioria tratáveis e integra o grupo de mortes potencialmente evitáveis. A mortalidade de saúde mental é baixa e está relacionada quase exclusivamente com o suicídio (3,1 por cento em 2015).
"O suicídio estabilizou. Em cada 100 mil habitantes mantém-se a probabilidade de dez se suicidarem", afirmou Francisco George, na cerimónia que assinalou o Dia Mundial da Saúde Mental.
Relativamente aos internamentos, é possível aferir que o número diminuiu desde há cinco anos. Reduziu-se com maior expressão nos internamentos por perturbações de alimentação, bipolares e do comportamento da infância (cerca de 16 mil internamentos cada).
A esquizofrenia é a patologia com menos hospitalizações, registando cerca de três mil internamentos no ano passado e contrastando com a perturbação de alimentação, que ocupa o primeiro lugar como causa de internamento.
Consumo de psicofármacos
Quanto ao consumo de psicofármacos em Portugal, o diretor-geral da Saúde refere que houve uma descida nos ansiolíticos (para a ansiedade), uma estabilização dos fármacos para as psicoses e um aumento do consumo de antidepressivos.
Todos os grupos de farmacológicos tiveram um aumento da dose diária definida, entre 2012 e 2016. No entanto, no grupo dos “ansiolíticos, sedativos e hipnóticos” verifica-se uma ligeira redução desde 2014. Os “antidepressores” são os que têm maior consumo, com 358.197.748 pessoas a utilizarem este medicamento.
Os portugueses compraram cerca de 20 milhões de embalagens de psicofármacos no ano passado, o que corresponde a um gasto de 216 milhões de euros.
A recomendação internacional quanto à limitação a menores de 18 do uso comum de substâncias psicotrópicas, medicamentos ou não, deve-se ao amadurecimento lento do sistema nervoso central. Ainda assim, o relatório indica que todos os grupos etários tiveram acesso a substâncias psicoativas através de prescrição médica, o que questiona a racionalidade da prescrição dos medicamentos.
Relativamente a estudantes do ensino público, 6,7 por cento de crianças com 13 anos tiveram acesso a medicamentos com receita médica e 2,1 por cento sem prescrição médica. A utilização de medicamentos aumenta consoante a idade, até que aos 18 anos o número de jovens adultos que utilizam medicamentos é de 17,1 por cento com receita e para 6,1 por cento sem prescrição médica.
O álcool é a substância psicoativa que mais pessoas experimentam. Entre a população portuguesa com idades entre os 15 e 64, a utilização oscila entre um mínimo de 73,6 por cento (em 2012) e máximo de 86,3 por cento (em 2016/2017). A cannabis é a substância com mais consumo experimental.
Objetivos para a saúde mental
O relatório de saúde mental adverte para a necessidade de implementar mais “programas locais de identificação, de prevenção e de apoio adequado a cada situação de risco”.
Para 2020, é esperado que o registo de perturbações mentais nos CSP aumente para 25 por cento, que a tendência para prescrever medicamentos seja invertida, se apoie a criação de 1500 lugares para adultos e 500 para crianças e jovens em cuidados integrados de saúde mental e exista um aumento de 30 por cento em ações de promoção da saúde mental e de prevenção das doenças mentais, desenvolvidos pelo Plano Nacional de Saúde Mental (PNSM).
c/ Lusa
No que diz respeito às perturbações de ansiedade, havia registo de 3,51 por cento de utentes em 2011. Já no ano passado sofriam desta patologia 6,06 por cento, praticamente o dobro desde há cinco anos. Os utentes em situação de demência aumentaram, passando de 0,40 por cento em 2011 para 0,79 por cento em 2016.
O maior registo de utentes inscritos ativos em CSP com perturbação depressiva, de ansiedade e com demência encontra-se nas regiões do Centro e do Alentejo.
Suicídio
O maior número de doentes mentais encontra-se na região do Alentejo. O número de suicídios é também mais significativo nesta região e a taxa de mortalidade por suicídio tem maior incidência na faixa etária igual ou superior a 65 anos.
Segundo o relatório da Direção-Geral da Saúde, o suicídio verifica-se sobretudo em pessoas com doenças mentais graves, na sua maioria tratáveis e integra o grupo de mortes potencialmente evitáveis. A mortalidade de saúde mental é baixa e está relacionada quase exclusivamente com o suicídio (3,1 por cento em 2015).
"O suicídio estabilizou. Em cada 100 mil habitantes mantém-se a probabilidade de dez se suicidarem", afirmou Francisco George, na cerimónia que assinalou o Dia Mundial da Saúde Mental.
Relativamente aos internamentos, é possível aferir que o número diminuiu desde há cinco anos. Reduziu-se com maior expressão nos internamentos por perturbações de alimentação, bipolares e do comportamento da infância (cerca de 16 mil internamentos cada).
A esquizofrenia é a patologia com menos hospitalizações, registando cerca de três mil internamentos no ano passado e contrastando com a perturbação de alimentação, que ocupa o primeiro lugar como causa de internamento.
Consumo de psicofármacos
Quanto ao consumo de psicofármacos em Portugal, o diretor-geral da Saúde refere que houve uma descida nos ansiolíticos (para a ansiedade), uma estabilização dos fármacos para as psicoses e um aumento do consumo de antidepressivos.
Todos os grupos de farmacológicos tiveram um aumento da dose diária definida, entre 2012 e 2016. No entanto, no grupo dos “ansiolíticos, sedativos e hipnóticos” verifica-se uma ligeira redução desde 2014. Os “antidepressores” são os que têm maior consumo, com 358.197.748 pessoas a utilizarem este medicamento.
Os portugueses compraram cerca de 20 milhões de embalagens de psicofármacos no ano passado, o que corresponde a um gasto de 216 milhões de euros.
A recomendação internacional quanto à limitação a menores de 18 do uso comum de substâncias psicotrópicas, medicamentos ou não, deve-se ao amadurecimento lento do sistema nervoso central. Ainda assim, o relatório indica que todos os grupos etários tiveram acesso a substâncias psicoativas através de prescrição médica, o que questiona a racionalidade da prescrição dos medicamentos.
Relativamente a estudantes do ensino público, 6,7 por cento de crianças com 13 anos tiveram acesso a medicamentos com receita médica e 2,1 por cento sem prescrição médica. A utilização de medicamentos aumenta consoante a idade, até que aos 18 anos o número de jovens adultos que utilizam medicamentos é de 17,1 por cento com receita e para 6,1 por cento sem prescrição médica.
O álcool é a substância psicoativa que mais pessoas experimentam. Entre a população portuguesa com idades entre os 15 e 64, a utilização oscila entre um mínimo de 73,6 por cento (em 2012) e máximo de 86,3 por cento (em 2016/2017). A cannabis é a substância com mais consumo experimental.
Objetivos para a saúde mental
O relatório de saúde mental adverte para a necessidade de implementar mais “programas locais de identificação, de prevenção e de apoio adequado a cada situação de risco”.
Para 2020, é esperado que o registo de perturbações mentais nos CSP aumente para 25 por cento, que a tendência para prescrever medicamentos seja invertida, se apoie a criação de 1500 lugares para adultos e 500 para crianças e jovens em cuidados integrados de saúde mental e exista um aumento de 30 por cento em ações de promoção da saúde mental e de prevenção das doenças mentais, desenvolvidos pelo Plano Nacional de Saúde Mental (PNSM).
c/ Lusa