Catalina Pestana: Casa Pia de Lisboa destaca legado

O Conselho Diretivo da Casa Pia de Lisboa destaca o legado "particularmente relevante" deixado pela antiga provedora Catalina Pestana, que morreu este sábado aos 72 anos num hospital em Lisboa.

RTP /
José Manuel Ribeiro - Reuters

"O seu legado na nossa instituição foi particularmente relevante na defesa intransigente dos Direitos das nossas crianças e jovens", lê-se num comunicado da Casa Pia de Lisboa.

A direção da instituição manifesta ainda "a sua mais profunda solidariedade à família". O funeral realiza-se no domingo, na igreja da Cruz Quebrada, onde decorrerá também hoje o velório.

A antiga provedora da Casa Pia estava há "várias semanas" internada numa unidade hospitalar em Lisboa e morreu esta noite vítima de uma infeção generalizada, segundo confirmou hoje o advogado da instituição à agência Lusa, Miguel Matias.

Miguel Matias considera que a antiga provedora da Casa Pia de Lisboa fez "um trabalho gigantesco", contra muitas dificuldades, na defesa das vítimas de abusos e da instituição.

De acordo com Miguel Matias, que trabalhou na defesa das vítimas juntamente com Catalina Pestana, a antiga provedora enfrentou as dificuldades do processo de pedofilia na Casa Pia "de peito aberto e sempre preocupada com a defesa das crianças, do bom nome da instituição e dos funcionários", num período que classificou como "muito conturbado e difícil".

Catalina Pestana, frisou, teve sempre em mente "a justiça".

"Foi uma pessoa com quem tive a sorte e o privilégio de trabalhar e de encetar uma amizade que ficou para sempre", disse.

A imagem que fica, referiu, é "de uma pessoa amiga, muito determinada, muito boa" e que "soube reunir uma equipa" para levar a cabo um trabalho para que a defesa das crianças fosse "efetivamente salvaguardada".
Nomeada em 2002
Catalina Pestana foi nomeada em 2002 pelo Ministério da Segurança Social e do Trabalho, na altura tutelado por Bagão Félix, provedora da Casa Pia e era uma das vozes de defesa das vítimas do processo de pedofilia que abalou a instituição.

Permaneceu à frente da instituição até maio de 2007, quando o julgamento do caso Casa Pia ainda decorria, para no ano seguinte integrar o projeto de uma "Rede de Cuidadores", contra abusos sobre jovens.

Nascida em 05 de maio de 1947, viveu no Barreiro e fez o liceu em Setúbal, antes de ir estudar Filosofia para a Universidade de Letras de Lisboa.

Em 1975, assumiu a direção do Colégio de Santa Catarina, em Lisboa, funções que exerceu durante cerca de doze anos, até 1987. Depois, começou a dar aulas de Análise Sócio-Histórica da Educação na Faculdade de Motricidade Humana.
Bagão Félix destaca"coragem" e "enorme sensibilidade"
O antigo ministro da Segurança social e do Trabalho, Bagão Felix, fala de Catalina Pestana como uma “portuguesa de eleição e uma grande senhora”.

Catalina Pestana foi nomeada em 2002 pelo Ministério da Segurança Social e do Trabalho, na altura tutelado por Bagão Félix, provedora da Casa Pia e era uma das vozes de defesa das vítimas do processo de pedofilia que abalou a instituição.

O antigo ministro diz que Catalina Pestana deu o rosto por aqueles que não têm voz.

Bagão Félix refere ainda que Catalina Pestana era “uma pessoa de enorme lucidez e infinita coragem”, principalmente durante o processo da Casa Pia.

Um período nada fácil, refere o ex-ministro, em que Catalina Pestana esteve ao lado dos que não tinham poder, perante "poderes se ergueram" contra a Casa Pia.

Marcelo realça marca na luta pelos direitos das crianças

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse hoje que a antiga provedora da Casa Pia de Lisboa, Catalina Pestana, "marcou a luta pelos direitos das crianças em Portugal".

Na página da Presidência na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa lembra que Catalina Pestana "foi a primeira mulher a assumir a direção da centenária Casa Pia de Lisboa, num dos momentos mais difíceis que a instituição atravessou".

"Catalina Pestana, professora e cuidadora, nunca desistiu de combater pelas causas em que acreditava, nomeadamente a defesa das crianças acolhidas. Depois da Casa Pia encarregou-se da refundação da Casa do Gaiato de Lisboa", acrescenta.

Marcelo Rebelo de Sousa recorda assim "a sua coragem no desempenho das funções profissionais e genuinidade com que tratava todos com quem convivia".


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