Catalina Pestana muito preocupada com demissão de Pedro Strecht
A provedora da Casa Pia mostrou-se hoje muito preocupada com a demissão do psiquiatra infantil Pedro Strecht, na sequência da decisão da juíza do processo de pedofilia na instituição em manter a realização de novas perícias psicológicas às alegadas vítimas.
Em declarações à Agência Lusa, Catalina Pestana disse reagir com "muita preocupação" à demissão, hoje, de Pedro Strecht da Comissão de Apoio Psicológico das alegadas vítimas da Casa Pia e escusou-se a tecer mais comentários, alegando que a demissão decorre "de uma decisão judicial".
"Não comento decisões judiciais", disse.
Num despacho divulgado terça-feira pelo jornal "24 horas" a juíza que preside ao colectivo, Ana Peres, rejeita o pedido do médico pedopsiquiatra e da comissão para que as vítimas não sejam sujeitas a novas perícias psicológicas no Instituto de Medicina Legal, como a magistrada havia decidido em Dezembro.
Ana Peres mantém a realização dos novos exames e até ordena que o Instituto de Medicina Legal escolha, nos próximos dez dias, os peritos que vão fazer os testes psicológicos aos jovens.
Além disso, segundo o "24 horas", a magistrada afirma que, como titular do processo, tem respeito pelo trabalho desenvolvido pelos médicos e técnicos da Comissão "que estão a acompanhar as pessoas" em relação às quais determinou as perícias e pede que estes façam o mesmo em relação à Justiça.
Hoje, numa carta dirigida ao ministro da Segurança Social, da Criança e da Família, a que a Agência Lusa teve acesso, o médico pedopsiquiatra demite-se da comissão, mas reafirma que mantêm inalterado o seu trabalho de suporte e intervenção junto de cada um dos jovens a quem tem feito acompanhamento especializado.
"É com imensa tristeza que anuncio a decisão irreversível de me demitir das funções para as quais fui mandatado em Novembro de 2002, por despacho do Exº Ministro Bagão Félix, como membro da Comissão de Apoio Psicológico para a Intervenção em Crise da Casa Pia de Lisboa", escreve o médico na missiva.
Na carta enviada ao ministro Fernando Negrão, o pedopsiquiatra explica que ao longo de mais de dois anos avaliou e prestou apoio médico especializado a dezenas de crianças e adolescentes "vítimas de horríveis crimes de abuso sexual".
De todos os casos avaliados, defende o médico, é impossível duvidar da existência de falsos testemunhos, pelo que se coloca à sua disposição para os continuar a acompanhar individualmente e em julgamento, "como testemunha convicta da veracidade".