Católicos ultra-conservadores impedidos de celebrar no Santuário
Um grupo de católicos ultra- conservadores foi hoje à tarde impedido pela PSP de celebrar na Capelinha das Aparições, no Santuário de Fátima, disse fonte policial.
Segundo a fonte, as autoridades foram chamadas pelo reitor do Santuário, Luciano Guerra, devido à presença de mais de dois mil fiéis da Fraternidade São Pio X, fundada por monsenhor Lefèbvre, que está proibida de celebrar em templos católicos pelo Vaticano.
O grupo ajoelhou-se na zona destinada aos fiéis a rezar o terço em latim, quando decorriam celebrações na Capelinha, que contavam com a presença do reitor da instituição.
Depois, por diversas vezes, elementos afectos ao movimento, que defende os ritos anteriores ao Concílio Vaticano II, como a missa em latim, e critica a abertura da Igreja Católica ao ecumenismo e ao diálogo inter-religioso, tentaram entrar na zona do altar da capelinha e foram impedidos.
O trabalho realizado pelo Santuário na defesa do ecumenismo tem sido objecto de fortes críticas por parte do movimento, actualmente liderado pelo bispo Bernard Fellay, que acusa a instituição mariana de praticar "sacrilégios" e "idolatria".
Em causa estão "cerimónias na capelinha" com hindus e crentes de religiões não-católicas, acusou Fellay, considerando que, actualmente, "a cólera de Deus dirige-se contra o que foi feito em Fátima nos últimos anos", desde que o Santuário começou a promover encontros ecuménicos e inter-religiosos.
Assistiu-se à "erradicação da mensagem de Fátima" por parte da hierarquia católica que dirige o Santuário seguindo uma "lógica e uma coerência iniciada pela nova teologia de depois do Concílio" Vaticano II, acusou anteriormente Bernard Fellay.
No entanto, este responsável, que disse ter agendada uma reunião com Bento XVI esta semana, explicou que o movimento estava impedido de celebrar no Santuário pelo que iria somente participar nas orações comunitárias dos peregrinos.
Este movimento - cujo primeiro líder, Marcel Lefèbvre, foi excomungado por João Paulo II - critica a Nova Missa, instituída pelo Concílio, e defende o regresso aos ritos em latim, como existia antes da década de 60.