Causas do acidente que vitimou chefe dos bombeiros do Porto há um ano estão por apurar
Porto, 15 nov (Lusa) - A Associação e o Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais criticaram hoje a Câmara do Porto por ainda não serem conhecidas as causas do acidente que, há um ano, matou o chefe dos Sapadores do Porto num incêndio no centro histórico.
Em comunicado enviado às redações, a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais e o Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais afirmam que "um ano depois da morte do chefe dos bombeiros, Manuel Correia, do Batalhão de Sapadores do Porto, ainda não é conhecido o resultado do inquérito anunciado, na altura, pela Câmara Municipal do Porto às causas do acidente que o vitimaram".
Segundo o mesmo documento, "no dia 13 de novembro de 2010, Manuel Correia, de 52 anos, foi um dos bombeiros que acorreu a um incêndio na Rua dos Caldeireiros, na Baixa do Porto, no centro histórico", e sendo "o mais graduado no teatro das operações" era o responsável pela segurança dos bombeiros que intervieram no combate àquele incêndio.
"Apesar disso, o seu envolvimento nas operações levou a que fosse atingido mortalmente pela fachada do edifício", afirmam.
As duas entidades recordam que, "na altura do acidente, alertaram para o facto de a morte deste bombeiro graduado, num teatro de operações, refletir a falta de efetivos e de organização do Batalhão", facto que dizem comprovado pela forma como, "naquele dia, a primeira equipa do BSB, da Estação de S. Bento, foi recebida pelos vizinhos, indignados por não verem ali mais elementos da corporação" de bombeiros.
"Os bombeiros chegaram mesmo a ser ameaçados pela população e empurrados para dentro do edifício", relatam.
Para a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais e o Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais, "do ano passado para este ano, pouco mudou", continuando a "falta de efetivos" nos Sapadores do Porto.
"A falta de equipamentos e de viaturas continua também a ser uma realidade, passado um ano, e a todas estas situações, que não conheceram qualquer evolução positiva, acresce o facto de, um ano depois, também não serem conhecidos os resultados do inquérito ao acidente que vitimou o chefe Correia, nem tão pouco se alguma vez ele começou a ser feito", criticam.
A Agência Lusa contactou a Câmara do Porto, estando ainda a aguardar esclarecimentos sobre esta matéria.
Em novembro de 2010, em declarações aos jornalistas na última homenagem ao sapador morto em serviço, dias depois do acidente, o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, antecipou aquilo que a autarquia iria fazer.
"Aquilo que compete à Câmara fazer - com a devida calma, não é hoje - é averiguar exatamente tudo aquilo que se passou, para ver se tudo decorreu na normalidade ou há algum aspeto que tenha fugido à normalidade e que nós tenhamos que corrigir ou responsabilizar alguém por isso", disse.