Cavaco apoia descentralização e transferência de competências para as autarquias

Cavaco apoia descentralização e transferência de competências para as autarquias

Boticas, Vila Real, 23 Fev (Lusa) - O Presidente da República manifestou hoje, em Boticas, o seu apoio à descentralização e transferência de mais competências e meios financeiros para as autarquias, nomeadamente na área da educação.

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Aníbal Cavaco Silva deslocou-se aos concelhos de Ribeira de Pena e Boticas, distrito de Vila Real, para uma jornada de inauguração nas áreas da saúde, educação e cultura.

Neste périplo pelo interior Norte do país, o Presidente da República aproveitou para deixar uma mensagem de "esperança" e para demonstrar o seu apoio à descentralização de competências.

"Apoio esta descentralização, que o Governo anunciou nos últimos dias, de competências em matéria de educação para as câmaras municipais e penso que, no futuro, temos mesmo de ir mais longe", afirmou, no decorrer da cerimónia de inauguração do novo edifício dos Paços do Concelho de Boticas.

Acrescentou que "há toda a vantagem em atribuir competências acrescidas ao poder local por uma questão de proximidade".

"Penso que os actores locais, incluindo as câmaras municipais, são capazes de pescar como que à linha aquele jovem que está em risco, que foge da escola, que a família não quer que continue os estudos. Eu acredito muito na eficiência, na resposta que o poder local pode dar se lhe forem dados meios financeiros acrescidos", sustentou.

Referiu ainda que cabe às autarquias dar "um contributo importante para a redução do insucesso e abandono escolar".

Em Boticas, onde inaugurou o centro escolar, que vai colher todos os estudantes do concelho, desde o pré-escolar ao 9º ano, o Chefe de Estado salientou a acção desenvolvida pela autarquia que, no seu entender, "tem vindo a preparar-se para assumir as novas competências no domínio da educação".

O centro escolar vai albergar 600 alunos e custou 750 mil de euros.

Cavaco Silva trouxe uma palavra de "solidariedade" aos dois concelhos transmontanos, mas também quis manifestar o seu "apreço pela organização dos cidadãos e o dinamismo das câmaras municipais para enfrentar as dificuldades e adversidades".

"Eu estou convencido de que é necessário mobilizar as vontades locais, aproveitar toda a potencialidade do poder local para conseguir dar resposta ao desenvolvimento social que é requerido pelas populações, para conseguir combater o abandono e o insucesso escolar e fortalecer a iniciativa empresarial dos concelhos e criar empregos para a fixação das populações", frisou.

Salientou o "símbolo da não resignação" que existe em Boticas, nomeadamente o histórico vinho dos Mortos.

"No passado o vinho dos mortos foi uma resistência ao invasor francês, hoje eu digo que o vinho dos mortos é a resistência ao esquecimento da parte dos poderes públicos. O povo do interior não se resigna", sublinhou.

Cavaco Silva inaugurou o Repositório Histórico do Vinho dos Mortos e foi convidado a assistir a uma tradicional chega de bois.

Com um investimento de 150 mil euros, o repositório pretende preservar a história de um dos ex libris de Boticas, o vinho dos mortos, cujo nome deriva do facto de ser enterrado e está ligado às invasões francesas. Quando em 1807 as tropas francesas, comandadas pelo general Soult, invadiram pela segunda vez Portugal, o povo, com medo que estes lhes pilhassem as suas colheitas e outros bens, escondeu o que conseguiu e enterrou o vinho no chão das adegas, no saibro, debaixo das pipas e dos lagares.

Depois da expulsão dos franceses, os habitantes recuperaram as suas casas e ao desenterrarem o vinho até o julgaram estragado, no entanto, descobriram que estava mais saboroso e que tinha novas características, tais como um gás natural resultante da fermentação no escuro e a um temperatura constante.

O Chefe de Estado apadrinhou também a assinatura de um protocolo ente a autarquia e a Fundação Nadir Afonso, com vista à construção de um centro de artes dedicada ao pintor e arquitecto.

O projecto para a construção do Centro de Artes Nadir Afonso está a ser elaborado por um gabinete de arquitectura de Nova Iorque, Estados Unidos da América, e tem um custo previsto de 2,5 milhões de euros.

O presidente da Câmara, o social-democrata Fernando Campos, referiu que este espaço vai ter 80 obras do pintor flaviense em permanente exposição e pretende ligar o nome do artista ao concelho onde nasceu a sua progenitora.

Nadir Afonso nasceu em Chaves em 1920, diplomou-se em Arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto e, em 1965, abandonou definitivamente a arquitectura para se dedicar exclusivamente à criação da sua obra.

PLI.

Lusa/Fim


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