Cavaco Silva considera caso Freeport um "assunto de Estado"

O Presidente da República, Cavaco Silva, voltou hoje a recusar qualquer comentário sobre o caso Freeport, que classificou como um "assunto de Estado", ao mesmo tempo que aconselhou os legisladores a ir para "o terreno" e a fazer leis para o país concreto e não para "utopias".

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Cavaco Silva voltou hoje a recusar comentar o caso Freeport. RTP

Cavaco Silva foi novamente hoje questionado sobre o caso Freeport mas, mais uma vez, recusou a solicitação considerando não ser aquele o momento de tratar de "assuntos de Estado".

"Hoje estamos aqui num torneio de Golf, não se tratam de assuntos de Estado, podemos assim dizer", afirmou o Presidente da República que se deslocou esta manhã a Cascais para assistir ao início da Taça Portugal Solidário 2009, que decorre na Quinta da Marinha.

Já ontem Cavaco Silva tinha recusado o convite dos jornalistas dizendo que não devia fazer nenhum comentário sobre a matéria



Em Cascais o assunto Freeport não foi único já que Cavaco Silva voltou a fazer uma referência à nova Lei do Divórcio criticando aqueles que fazem leis para utopias e não para o país concreto.

Cavaco Silva referiu que "é importante quando se legisla que se oiça aqueles que conhecem a realidade. A legislação deve ser feita para o país concreto, que é o nosso, e não para utopias".

O Presidente da República, respondia assim aos jornalistas quando questionado sobre a posição da Associação das Mulheres Juristas, que defende que a nova Lei do Divórcio deve voltar ao Parlamento.

Cavaco Silva adiantou ainda que a Presidência da República tem vindo a recolher elementos sobre a nova Lei do Divórcio, defendendo que os legisladores devem "ir para o terreno" e que "é bom que as pessoas que fazem as leis vão para o terreno e conheçam o terreno".

"Tenho falado com os cidadãos em toda a parte do nosso país, portanto acho que conheço um pouco a realidade", afirmou o Presidente ao mesmo tempo que esclareceu que foi precisamente o conhecimento que tem da realidade que o levou esta semana, na Abertura do Ano Judicial, "a chamar a atenção para a necessidade de ter em conta o país que somos e não qualquer utopia que nós ou alguns gostasse que fosse alcançada".

Recorde-se que ontem mesmo o Presidente da República já tinha manifestado a sua "perplexidade" pela forma como se legisla em Portugal sobre matéria relevantes como o divórcio, considerando que o novo diploma poderá levar ao aumento dos "novos pobres".

Cavaco Silva fala de economia

O momento actual da economia foi também tema abordado por Cavaco Silva ao dizer que há que ter esperança pois é provável que o encerramento de empresas possa "estancar um pouco" em resultado das medidas do Governo, apesar de reconhecer as "vulnerabilidades" da economia portuguesa.

"Temos de ter esperança que em resultado das medidas que têm sido tomadas pelo Governo, que a situação possa como que estancar um pouco", disse o Presidente da República.

No entanto, para o Chefe de Estado "a situação não surpreende muito face ao que se passa por esse mundo fora e o que se passa nos clientes das nossas exportações" ao mesmo tempo que reconhece as "vulnerabilidades da economia portuguesa".

Cavaco Silva voltou a apelar ao "espírito de resistência dos portugueses" e às empresas "para que não adiem investimentos que são claramente rentáveis, porque, em tempo de crise, também existem oportunidades".

O Presidente mostrou-se preocupado e, por isso, espera que os portugueses não deixem "cair os braços nesta situação difícil" principalmente "na parte do desemprego e da pobreza".

Portugal deve estar preparado para "eventuais situações de emergência social" e os recursos que existirem "devem apoiar quem perder o emprego" pois são esses que podem cair em situação de pobreza.
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