CCDR faz limpeza de sucata de automóveis em acção pioneira no país
O depósito ilegal de veículos do Monfalim, em Sobral de Monte Agraço, foi hoje encerrado, com a consequente retirada de mais de uma centena de automóveis inutilizados, numa operação acompanhada por oito militares da GNR.
A acção foi acompanhada pelo secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, que sublinhou que, com este primeiro acordo assinado entre a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo e a Valorcar (Sociedade de Gestão de Veículos em Fim de Vida), a CCDR passa agora a dispor de meios "para ir ao terreno e remover os veículos", após posse administrativa dos espaços ocupados pelas sucatas.
Na presença de elementos da GNR de Sobral de Monte Agraço e do destacamento de Torres Vedras os proprietários do depósito ilegal acataram as ordens, mas mostraram-se descontentes pela forma como a operação foi conduzida.
"Estávamos a retirar o material e bloquearam as saídas", contou a proprietária Maria da Conceição Dionísio, que não sabe como vai agora sustentar os seus dois filhos.
"Como vamos viver", questionou a responsável, para quem os oito anos de notificações "não deram para legalizar" o estaleiro, onde se constatou haver carroçarias de veículos cobertas por vegetação selvagem e dentro da ribeira do Monfalim, junto ao local, situado em zona de Reserva Agrícola Nacional e Reserva Ecológica Nacional.
"Assistimos frequentemente a líquidos a correr para dentro da ribeira o que é um perigo para a saúde pública", denunciou o vice-presidente da Câmara, José Alberto Quintino, que revelou existirem "veículos em perigo de derrocada para dentro do rio".
Prevendo-se "acordos similares com a Valorcar" para outras regiões do país, Humberto Rosa garantiu que o Estado vai passar a ter "um programa sistemático de erradicação de sucatas ilegais".
"Aquilo que havia era um negócio de chegar um veículo, tirar algumas peças para venda e deixá-lo apodrecer no terreno", disse o governante, para quem é necessário pôr fim a situações em que "os veículos chegam com óleos usados e resíduos perigosos que não são tratados", contaminando os solos e as linhas de água.
Só na região de Lisboa e Vale do Tejo, a CCDR prepara-se para notificar "meia dúzia" de sucateiros ilegais de veículos e, caso não haja resposta em tempo útil dos seus proprietários, proceder-se-á de igual modo ao desmantelamento dos depósitos ilegais.
Rui Berkemeier, dirigente da Quercus, que acompanhou a operação, considerou que se trata de uma "iniciativa louvável" que "demonstra que o Estado está a cumprir com a sua obrigação".