Central de compostagem da Quinta das Areias transforma um terço dos resíduos de 14 municípios
A central de compostagem e aterro sanitário associado na Quinta das Areias, Fundão, cuja construção está a ser alvo de inquérito judicial, receberam em 2006 perto de 76 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos.
De acordo com dados oficiais da Águas do Zêzere e Côa, que gere a estrutura, cerca de um terço é lixo orgânico transformado na central em composto para agricultura, sendo o restante depositado em aterro sanitário.
A empresa do grupo Águas de Portugal é desde Julho de 2003 a concessionária da rede de resíduos que abrange 14 concelhos da Associação de Municípios da Cova da Beira (AMCB).
No âmbito de um inquérito à construção da central de compostagem, António José Morais, ex-professor de José Sócrates na Universidade Independente, foi acusado de corrupção e branqueamento de capitais, confirmou hoje à Lusa fonte judicial.
Outras fontes ligadas ao processo adiantaram à Lusa que a ex-mulher de António José Morais, Ana Simões Morais, também foi acusada pelo Ministério Público, mas que houve um despacho de arquivamento em relação ao arguido Silvino Rui Alves.
Entretanto, o antigo presidente da Câmara Municipal da Covilhã Jorge Cruz Pombo, também arguido neste caso, disse à Lusa que foi ouvido, mas que recebeu quinta-feira a notificação de que o processo contra ele foi arquivado pelo Ministério Público.
António José Morais, que desempenhou vários cargos de nomeação política no Governo de António Guterres e no actual executivo de José Sócrates, esteve ligado à construção do aterro sanitário, em 1996, através do GEASM, o seu gabinete de engenharia, que preparou o projecto, o programa do concurso, o caderno de encargos e avaliação técnica das propostas.
Só em 1999, após uma denúncia anónima feita em 1996, a Polícia Judiciária começou a investigar o caso.
À data dos factos, José Sócrates - que não foi ouvido no inquérito - era secretário de Estado do Ambiente e inaugurou a central e respectivo aterro em 6 de Julho de 2001 ao lado do então primeiro-ministro, António Guterres.
A construção, recuperação ambiental e encerramento da lixeira do Souto Alto foram adjudicadas ao um consórcio liderado pela empresa HLC, à qual a AMCB entregou também a exploração da estrutura.
O investimento total rondou os 17,5 milhões de euros e teve como objectivo acabar com as lixeiras na área de 14 concelhos da AMCB.
Em 2003, no seguimento da reestruturação do grupo HLC e de um diferendo financeiro entre a firma e a AMCB, ambas acabaram por rescindir o contrato de exploração, passando a estrutura para as mãos da Águas do Zêzere e Côa.
A central e aterro recebem os resíduos dos concelhos da Covilhã, Fundão, Belmonte, Penamacor, Manteigas, Guarda, Sabugal, Almeida, Pinhel, Trancoso, Figueira de Castelo Rodrigo, Meda, Fornos de Algodres e Celorico da Beira.
A área abrange 221.195 habitantes, numa área de 6.160 quilómetros quadrados.
Das 76 mil toneladas de resíduos recebidas, cerca de 30 por cento são detritos orgânicos transformados na central em composto para a agricultura, sendo o restante depositado no aterro sanitário, cuja capacidade deverá estar esgotada no próximo ano.
Segundo a AZC, o novo aterro sanitário já está em construção em terrenos limítrofes e deverá receber resíduos indiferenciados até ao ano de 2020.
Apesar das tentativas, não foi possível junto da AZC mais esclarecimentos adicionais sobre o funcionamento a central de compostagem no âmbito da rede de recolha de resíduos sólidos.