Centro da UMAR/Porto já atendeu mais de 170 vítimas de violência doméstica

Mais de 170 mulheres vítimas de violência doméstica já recorreram ao centro de atendimento aberto no Porto em Fevereiro de 2004 pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), anunciou hoje a organização.

Agência LUSA /

Em comunicado, a UMAR refere que algumas daquelas mulheres foram encaminhas para casas-abrigo e outras permanecem em suas casas, exigindo que a lei e o Estado mantenham o agressor afastado.

"No entanto, muitas delas continuam a ser perseguidas e maltratadas, à saída dos empregos ou quando vão buscar as suas crianças", salienta a organização.

A UMAR está a coordenar um estudo do Observatório das Mulheres Assassinadas que indica que as mortes de mulheres em Portugal por violência doméstica são três vezes superiores às de Espanha.

Dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) indicam que morrem por ano cerca de 60 mulheres em Portugal em consequência de maus-tratos e violência doméstica.

De acordo com a Comissão Nacional para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres (CIDM), foram apresentadas em 2003 nas autoridades policiais e judiciais cerca de 14.000 queixas de violência doméstica, número considerado "ínfimo" relativamente à realidade.

Vinte e dois por cento das queixas de violência doméstica em Portugal têm origem no distrito do Porto, segundo dados revelados em Março pela dirigente do Clube do Porto da associação Soroptimist ("O melhor para as mulheres") Teresa Rosmaninho.

"Este grande aumento do número de queixas talvez seja porque há agora muitas instituições no Porto a trabalhar na luta contra a violência doméstica, o que não acontecia há 10 anos", afirmou a responsável.

O Centro de Atendimento da UMAR no Porto está aberto todos os dias, das 10:00 às 18:00, disponibilizando em permanência apoio de juristas, psicólogos e técnicos de serviço social.

Os pedidos de apoio recebidos logo nos primeiros meses confirmaram que a violência doméstica atravessa todas as classes sociais, desde mulheres licenciadas e com mestrado até desempregadas sem escolaridade.

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