Centro de Portugal espera noite de "muito trabalho" contra os incêndios

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O incêndio que começou em Ferreira do Zêzere e que progrediu para Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, ameaça aldeias e obrigou a autarquia a ativar o Plano Municipal de Emergência.
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Em Vila de Rei, o fogo era combatido pelas 23h00 por 228 homens e 73 meios terrestres e a Proteção Civil prometia "reforçar os meios" depois de várias aldeias terem sido evacuadas "por precaução".

A Administração Regional de Saúde do Centro abriu este fim de semana de forma extraordinária alguns centros de saúde, estão abertos em Figueiró dos Vinhos, Vila de Rei, Vila Nova de Poiares e Miranda do Corvo.

A Administração Regional de Saúde do Centro diz que vai proceder a reajustamentos nos horários dos centros de saúde das zonas mais afectadas pelos incêndios conforme as necessidades das populações.

Medidas que poderão revelar-se cruciais esta noite, que se anuncia angustiante em Vila de Rei, distrito de Castelo Branco, atingida por uma das frentes do incêndio de Ferreira do Zêzere.

A autarquia anunciou que tinha ativado o Plano Muncipal de Emergência, já que o fogo ameaçava "muitas aldeias".
Metade do concelho "a arder"
"Há muitas aldeias ameaçadas. Há muitos bombeiros, mas para a força do fogo eles também são poucos", disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Vila de Rei, Ricardo Aires, referindo que "algumas dezenas de pessoas" tiveram de ser retiradas, sem conseguir especificar o número concreto.

De acordo com o autarca, o Plano Municipal de Emergência foi ativado às 19:30, sendo que "metade do concelho está a arder".

"Estamos a ativar ainda mais meios para esta ocorrência", sublinhou o comandante da ANPC. Em Vila de Rei, o fogo era combatido pelas 23h00 por 228 homens e 73 meios terrestres.

Ao longo do dia as situações de sobressalto já se tinham multiplicado.


A situação permanece de angústia e os habitantes pediam ao início da noite ajuda para salvar as casas e os animais.

Já no município de Castelo Branco, o presidente da autarquia, Luís Correia, afirmou à Lusa pelas 23h00 que "há proximidade das chamas às casas" na localidade de Casal da Serra.

No entanto, até ao momento, não foi necessário proceder à evacuação da povoação, vincou.

As chamas obrigaram durante o dia à retirada de várias pessoas de uma unidade hoteleira. Quase 200 bombeiros com 57 meios terrestres combatem as chamas em Louriçal do Campo, no distrito de Castelo Branco.

O incêndio de Vila de Rei era uma das duas frentes do que lavrou nas últimas horas em Ferreira do Zêzere.  A estrada de ligação a Vila de Rei ficou cortada devido a derrocadas.

As chamas da outra frente, em Dornes, avançava para o rio ao início da noite, e às 23h00já tinha entrado em Abrantes.

Em Beco, Senhora da Orada, as chamas eram combatidas por 360 operacionais e 105 meios.

Algumas pessoas foram retiradas de casa e o autarca de Ferreira do Zêzere esperava uma noite de muto trabalho.

Casas arderam em Parada do Pinhão, Sabrosa
Um outro incêndio iniciado às 13h00 perto da A4 e de Parada do Pinhão, Sabrosa, e dado com circunscrito durante a tarde, tornara-se ao início da noite uma das ocorrências mais graves do dia, depois do vento atiçar as chamas que acabaram a cercar a localidade.

pelo menos duas casas arderam e uma terceira só foi salva pela ação dos bombeiros e de um meio aéreo numa das últimas descargas do dia.

Às 23H00 as chamas forçaram ao encerramento de um troço da A4 entre Lamares e Parada do Pinhão. A circulação foi também proibida num troço da EN15 entre o nó da A4 e Parada do Pinhão.

Além desta aldeia, também Vilarinho de Parada e Paredes foram ameaçadas pelas chamas mas às 23h00 o fogo já tinha ultrapassado as três localidades. Mais de 200 bombeiros apoiados por 64 carros combatiam o fogo.

Já em Coimbra, o incêndio iniciado em Carvalhosa alastrou a Miranda do Corvo, Vila Nova de Poiares e Lousã.

Vila Nova de Poiares estava ao início da noite rodeada de chamas e de fumo.

Portugal acionou sábado à noite o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, pela segunda vez, após um primeiro pedido em junho.

Este sábado, o Presidente da República deixou uma palavra de apoio aos operacionais que combatem as chamas em praticamente todo o país.

Só três distritos escaparam ao fogo este fim de semana em Portugal continental, afirmou a Proteção Civil no seu briefing das 19h00.

Em Torres do Mondego, Carvalhosas, Coimbra, 371 operacionais e 107 meios terrestres combatiam as chamas e em Pussos São Pedro, Alvaiázare, as operações contra o fogo envolviam 316 homens e 94 veículos.

Às 22h00, a página da Proteção Civil dava conta de 86 incêndios rurais, combatidos por mais de quatro mil operacionais apoiados por 1.161 veículos e ainda dois meios aéreos.

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