Centro histórico servido por mini-autocarros "amigos" do ambiente
Bragança tornou-se a terceira cidade portuguesa a aderir aos mini-autocarros eléctricos "amigos do ambiente", que permitem aos cidadãos deslocarem-se por toda a zona histórica, entrando e saindo onde entenderem.
"Isto é uma espécie de táxi colectivo", disse o presidente da Câmara, Jorge Nunes, ao apresentar hoje a nova "linha azul", com três mini-autocarros a circularem a título experimental, e gratuitamente, desde o início de Abril até ao final de Maio.
A autarquia pretende incentivar o uso deste novo transporte alternativo, denominado "Gulliver", um mini-autocarro adaptado às vias estreitas da zona histórica e ecológico, já que é movido a energia eléctrica, com um sistema de baterias com autonomia para quatro a seis horas.
A velocidade máxima que estes veículos alcançam excede em pouco os trinta quilómetros/hora, mas conseguem circular por zonas inacessíveis aos restantes transportes públicos urbanos.
Os três "gullivers" adquiridos pela autarquia de Bragança implicaram um investimento de 560 mil euros, comparticipados em 75 por cento pela Direcção-Geral de Transportes Terrestres.
A cidade transmontana torna-se assim na terceira do país, depois de Coimbra e Portalegre, a aderir a este novo meio de transporte, estando também prevista para breve a adesão de Viana do Castelo e Viseu.
Para o autarca de Bragança, esta nova linha representa sobretudo mais mobilidade para os cidadãos na deslocação dentro da cidade, além de se tratar de veículos que respeitam o meio ambiente, por utilizarem energias alternativas não poluentes, o que se insere na aposta da autarquia de fazer de Bragança uma "eco-cidade".
Embora não sabendo especificar a taxa habitual de utilização dos transportes urbanos em geral, para o autarca o mais importante não é rentabilizar este serviço.
"Não há transportes públicos rentáveis em lado nenhum. É preciso perceber que não vamos introduzir três autocarros com a perspectiva de que os cidadãos vão amortizar o investimento. Os cidadãos não vão pagar sequer o custo dos motoristas, provavelmente", afirmou.
Sustentou, no entanto, que "não é possível as cidades continuarem a viver com carros estacionados em cima dos passeios, em segunda fila, a apitarem, e com carros com uma pessoa dentro", acrescentou.
Para o director-geral de Transportes Terrestres, Jorge Jacob, as experiências de Coimbra e Portalegre demonstraram que a utilização deste novo transporte tem sido um sucesso, nomeadamente com uma taxa de ocupação de 50 por cento na cidade alentejana.
"Em Coimbra, a primeira vez que um autocarro foi à Sé Velha foi o Gulliver, nunca lá tinha chegado um autocarro, porque não passava. Havia pessoas, velhos, que não conseguiam deslocar-se porque não têm carro e não tinham transporte público, e que conseguiram voltar à cidade", disse.
O "gulliver" foi apresentado em 24 cidades portuguesas, desde 2001, e, segundo o director-geral, não deverá ficar confinado às cinco cidade já referidas.
A autarquia transmontana vai reorganizar todas as linhas de transportes públicos, para interligá-las e servirem melhor os utentes que queiram deslocar-se para diferentes zonas da cidade e do concelho.