Cerca de 100 ambulâncias concentram-se domingo em Lisboa

Cerca de 100 ambulâncias deverão juntar-se domingo em Lisboa em protesto pelo "estrangulamento financeiro" das empresas privadas de transporte de doentes, disse hoje à agência Lusa o presidente da associação que organiza a concentração.

Agência LUSA /

A Associação de Transportes de Doentes em Ambulâncias promove um desfile até ao Ministério da Saúde para se manifestar contra o "baixo" preço do quilómetro que é pago às empresas.

"O preço actual é de 35 cêntimos por quilómetro para o primeiro doente a entrar na ambulância e de 20 por cento daquele valor para os restantes", disse o presidente da Associação, Paulo Rodrigues.

Para Paulo Rodrigues, o modelo encontrado pelo Ministério da Saúde é "absurdo", por isso compara: "é como se quando se andasse de metro, o primeiro passageiro a entrar pagasse mais do que os restantes".

Isto porque a legislação permite às ambulâncias do sector privado (que não fazem serviço de emergência) o transporte até sete doentes.

Caso este modelo se mantenha, a Associação reclama um preço por quilómetro de 50 cêntimos para o primeiro doente a ser transportado e 20 por cento desse valor para os restantes.

"Outra possibilidade é todos os doentes serem taxados a 35 cêntimos por quilómetro", defendeu.

Caso não haja uma alteração, a Associação diz que as empresas correm o risco de fechar, "devido ao estrangulamento financeiro", deixando no desemprego cerca de 800 pessoas e "penalizando mais de mil doentes".

A Associação, que estima que existam cerca de 120 empresas de ambulâncias, pretende ser recebida por responsáveis do Ministério da Saúde.

Paulo Rodrigues acusou ainda algumas sub-regiões de saúde do país, entre as quais a de Lisboa, de estarem numa "acção concertada" para quebrar o "acordo tácito" de facturação que estava em vigor há alguns anos.

Esse acordo estabelecia o pagamento de 35 cêntimos ao quilómetro por doente.

A Associação acusa ainda algumas sub-regiões de saúde de recorrerem aos táxis para transportar doentes.

"Isso é ilegal e os táxis não oferecem condições para transportar doentes", declarou Paulo Rodrigues.

Contestou ainda que todas as empresas de transporte de doentes tenham de ir às instalações do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), em Lisboa, para realizar vistorias, quando "a lei prevê a delegação de poderes às administrações regionais de saúde".

Também a "demora" na obtenção de licenças para novas ambulâncias é motivo de protesto, já que as empresas têm de esperar "cerca de oito meses".

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