Cerca de 100 pessoas reivindicam direitos de doentes crónicos de Fibromialgia
Cerca de uma centena de pessoas concentraram-se em frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa, reclamando para os fibromiálgico s os mesmos direitos que têm os outros doentes crónicos.
De pé, sentados em cadeiras ou deitados no chão, os manifestantes, na maio ria doentes com fibromialgia, ostentavam cartazes com frases como "Exigimos Dign idade", "Queremos Legislação que Quantifique a Nossa Incapacidade" ou "A Fibromi algia Destruiu-me, Ajudem-me a Viver".
Maria Teresa Calado, da Associação Portuguesa de Doentes com Fibromialgia (APDF), lamentou que apesar da Organização Mundial de Saúde já reconhecer há ano s a fibromialgia como doença crónica, Portugal tenha de cerca de 350 mil doentes sem direito a reforma, isenção de taxas moderadoras ou redução do preço dos med icamentos.
"Não há ninguém que esteja aqui que não esteja com uma grande dose de medi camentos em cima e amanhã, provavelmente, não nos vamos conseguir levantar", dis se.
Contudo, a responsável da APDF justificou a "não muito grande adesão", com parativamente com o número de doentes, com o facto desta doença ser muito incapa citante e impossibilitar em muitos casos que as pessoas "se levantem sequer da c ama". Segundo Maria Teresa Calado, a doença é muito difícil de diagnosticar, o q ue na maior parte dos casos só acontece vários anos depois de se manifestarem os sintomas, que são sobretudo fadiga permanente e dores em todo o corpo.
"O diagnóstico é feito sempre por um médico experiente através da apalpaçã o dos pontos de gatilho e depois de muitos exames e de excluídas todas as outras doenças", afirmou, sublinhando que "há médicos que estão aptos a diagnosticar, mas ainda há muitos que não são capazes e outros até que banalizam a doença".
Além de doentes de todas as idades, desde adolescentes a idosos, a concent ração, que pretendeu também assinalar hoje o Dia Mundial da Fibromialgia, contou ainda com a presença de algumas pessoas que vieram em representação de familiar es que não puderam estar presentes devido ao seu grau de incapacidade.
Um desses casos foi um marido que afirmou ter aprendido "a ser dona-de-cas a, mais amigo e compreensivo e auxiliar de enfermeiro" e que classifica a Fibrom ialgia como uma "dor constante, agressiva e desesperante".