País
Cerca de uma centena de mineiros da Urgeiriça em protesto
Uma centena de antigos trabalhadores das minas da Urgeiriça exigiram ao Governo que dê respostas às reivindicações apresentadas. Pedem equiparação aos trabalhadores do fundo de mina e exigem que sejam pagas indemnizações aos familiares das vítimas de radioactividade.
O protesto dos antigos trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio aconteceu no dia em que os secretários de Estado da Industria e Inovação, do Ambiente e da Saúde se deslocaram a Canas de Senhorim, concelho de Nelas, para a inauguração das obras de requalificação da Barragem Velha da Urgeiriça, em Canas de Senhorim.
Na Barragem Velha da Urgeiriça foram acumulados resíduos resultantes de décadas de exploração de urânio. A Urgeiriça foi o maior centro de produção de urânio em Portugal, tendo por isso sido considerada uma zona prioritária de requalificação ambiental, entre as 61 áreas mineiras de urânio que estão inventariadas.
Em comunicado, a Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM), responsável pela requalificação da Barragem Velha afirma que “se trata da maior fonte de contaminação radioactiva da Urgeirica”, um problema que garante estar agora resolvido.
“O maior foco de contaminação associado à actividade mineira na região, a Barragem Velha, ficou assim resolvido com a obra agora terminada, que será sujeita a um sistema da monitorização em contínuo pela instalação de seis estação de captação de radão (gás resultante do urânio) e de doze piezómetros duplos de controle das águas”, esclarece a EDM.
No comunicado, a EDM explica que “as obras de confinamento, selagem e drenagem” da Barragem Velha da Urgeiriça “conseguiram reduzir as radiações de superfície (expressas em choques por segundo – CPS) de 15.000 CPS para apenas 300 CPS”, um valor que “superou pela positiva todas as expectativas”.
“Ao longo de 75 anos de exploração mineira, entre 1913 e 1988, foram movimentados e depositados na Barragem Velha cerca de 1,5 milhões de m3, correspondentes a 2,5 milhões de toneladas de rejeitados da exploração mineira de urânio”, afirma a EDM.
Na Barragem Velha ficam também selados os materiais que estavam noutras duas escombreiras de maiores dimensões, a de Santa Bárbara e de minério pobre, que durante anos foi mantida junto à Oficina de Tratamento Químico.
Desde 2004 já morreram mais de cem mineiros na região
António Minhoto, porta-voz da comissão de antigos trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio (ENU), afirma que “a revolta é cada vez maior”, depois de na passada semana ter morrido mais um antigo trabalhador com um cancro no pulmão e de um outro estar internado no Hospital de Viseu.
“Não podemos aceitar que as pessoas morram e que o Estado não cumpra a sua missão. Nós fomos vítimas de termos estado expostos à radioactividade”, afirmou António Minhoto ao Jornal da Manhã da RTPN.
Os antigos trabalhadores têm exigido ao Governo que, mesmo aqueles que não tinham vínculo à ENU, na data da sua dissolução, sejam abrangidos por um decreto-lei que os equipare a trabalhadores do fundo da mina, dando benefícios na idade da reforma, e o pagamento de indemnizações aos familiares daqueles que morreram com doenças realizadas à exposição à radioactividade.
“Nós vamos exigir que as famílias sejam indemnizadas e que os direitos dos trabalhadores sejam equiparados, em termos de reforma, a mineiro”. E acrescentou: “Lamentamos que o Governo que se diz um Governo social, que se diz um Governo pelos trabalhadores e pelos direitos não ateste este nosso direito”.
“Não estamos aqui a contestar a inauguração, nós fomos os primeiros a exigir que este problema acabasse”, afirmou António Minhoto.
“Nós estamos aqui de luto, com camisolas e bandeiras pretas, porque a nossa dor é muito grande”, declarou.
Na Barragem Velha da Urgeiriça foram acumulados resíduos resultantes de décadas de exploração de urânio. A Urgeiriça foi o maior centro de produção de urânio em Portugal, tendo por isso sido considerada uma zona prioritária de requalificação ambiental, entre as 61 áreas mineiras de urânio que estão inventariadas.
Em comunicado, a Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM), responsável pela requalificação da Barragem Velha afirma que “se trata da maior fonte de contaminação radioactiva da Urgeirica”, um problema que garante estar agora resolvido.
“O maior foco de contaminação associado à actividade mineira na região, a Barragem Velha, ficou assim resolvido com a obra agora terminada, que será sujeita a um sistema da monitorização em contínuo pela instalação de seis estação de captação de radão (gás resultante do urânio) e de doze piezómetros duplos de controle das águas”, esclarece a EDM.
No comunicado, a EDM explica que “as obras de confinamento, selagem e drenagem” da Barragem Velha da Urgeiriça “conseguiram reduzir as radiações de superfície (expressas em choques por segundo – CPS) de 15.000 CPS para apenas 300 CPS”, um valor que “superou pela positiva todas as expectativas”.
“Ao longo de 75 anos de exploração mineira, entre 1913 e 1988, foram movimentados e depositados na Barragem Velha cerca de 1,5 milhões de m3, correspondentes a 2,5 milhões de toneladas de rejeitados da exploração mineira de urânio”, afirma a EDM.
Na Barragem Velha ficam também selados os materiais que estavam noutras duas escombreiras de maiores dimensões, a de Santa Bárbara e de minério pobre, que durante anos foi mantida junto à Oficina de Tratamento Químico.
Desde 2004 já morreram mais de cem mineiros na região
António Minhoto, porta-voz da comissão de antigos trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio (ENU), afirma que “a revolta é cada vez maior”, depois de na passada semana ter morrido mais um antigo trabalhador com um cancro no pulmão e de um outro estar internado no Hospital de Viseu.
“Não podemos aceitar que as pessoas morram e que o Estado não cumpra a sua missão. Nós fomos vítimas de termos estado expostos à radioactividade”, afirmou António Minhoto ao Jornal da Manhã da RTPN.
Os antigos trabalhadores têm exigido ao Governo que, mesmo aqueles que não tinham vínculo à ENU, na data da sua dissolução, sejam abrangidos por um decreto-lei que os equipare a trabalhadores do fundo da mina, dando benefícios na idade da reforma, e o pagamento de indemnizações aos familiares daqueles que morreram com doenças realizadas à exposição à radioactividade.
“Nós vamos exigir que as famílias sejam indemnizadas e que os direitos dos trabalhadores sejam equiparados, em termos de reforma, a mineiro”. E acrescentou: “Lamentamos que o Governo que se diz um Governo social, que se diz um Governo pelos trabalhadores e pelos direitos não ateste este nosso direito”.
“Não estamos aqui a contestar a inauguração, nós fomos os primeiros a exigir que este problema acabasse”, afirmou António Minhoto.
“Nós estamos aqui de luto, com camisolas e bandeiras pretas, porque a nossa dor é muito grande”, declarou.