"Cérebro" português troca Yale (EUA) pela Universidade do Porto
O cientista português João Morais Cabral vai protagonizar uma "fuga de cérebros" de sentido contrário, ao decidir trocar a universidade norte-americana de Yale pelo IBMC, instituto ligado à Universidade do Porto.
"Ele é realmente muito bom. A sua vinda para Portugal só pode ser saudada", afirmou hoje Júlio Borlido Santos, do Núcleo de Investigação Científica do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), da UP.
O IBMC vai ser a "oficina" de trabalho, do ainda professor assistente de Yale, uma das mais reputadas universidades norte- americanas, durante os próximos cinco anos.
João Morais Cabral, 41 anos, regressará de Yale em Janeiro ou Fevereiro e deverá montar a sua estrutura de investigação no Porto até Outubro, acrescentou Júlio Borlido Santos.
O cientista vai incidir os seus estudos, em Portugal, na área da estrutura das proteínas das membranas celulares, em particular de um transportador de iões de sódio e potássio.
A compreensão deste tipo de proteínas é - segundo a fonte do IBMC - "fundamental" para perceber a fisiologia das células e dos organismos como um todo.
Estes "transportadores" - explicou Borlido Santos - são os responsáveis pelo desencadear de impulsos eléctricos no sistema nervoso ou para o armazenamento de energia metabólica nos músculos, processos que estão na base de fenómenos como o batimento cardíaco ou as sensações de sede ou toque.
A estrutura de investigação, a montar no IBMC por Morais Cabral, vai ser apoiada com 50 mil euros/ano pela Organização Europeia de Biologia Molecular (EMBO).
A EMBO fomenta o regresso ao continente europeu de investigadores que tinham optado por trabalhar noutras zonas do mundo.
Recebeu 70 candidaturas às suas bolsas, tendo aprovado apenas a de Morais Cabral e mais nove.
O investigador, que se formou na Universidade do Porto, também desenvolveu investigação na área da Biologia Molecular em Edimburgo (Escócia), Boston, Leicester e Nova Iorque.
Morais Cabral tem diversos trabalhos publicados em revistas científicas internacionais, nomeadamente a Science, Nature e Cell.
Em 1999, o cientista português recebeu o prémio para o melhor artigo de investigação divulgado na Nature.